sábado, 6 de abril de 2019

O que eu vim fazer aqui?


Oi, pessoal! Tudo bem?

Eu já esclareci que minha primeira impressão de Portugal não foi a melhor (leia aqui) mas também já expliquei que essa fase passou (leia aqui e aqui também). 

Certamente, brusca mudança entre meu ponto de partida e meu ponto de chegada (Nova Friburgo - Setúbal) foi um factor determinante para que eu não me sentisse deslumbrada por estar aqui. Entretanto, apesar de eu ter um padrão de vida melhor no Brasil, em tempo algum passou pela minha cabeça voltar para lá. Então, fica a pergunta: o que é que eu vim fazer aqui?


Foto tirada do Google

É relevante pontuar que Brasil não é inteiramente péssimo nem Portugal completamente maravilhoso. Acreditem, há itens, no Brasil, que são melhores, mais modernos e desenvolvidos que os portugueses – desconsiderando as coisas de valor afectivo. Por outro lado, há coisas, em Portugal, que atingiram melhores patamares que os brasileiros. São escolhas que precisam ser feitas e outro dia falarei um pouco mais dessa minha percepção. 

Eu escolhi vir para cá, mas, hoje em dia, percebo que eu teria ido para qualquer outro lugar que fosse razoável, segundo minhas necessidades (idioma, estilo de vida, segurança, regimes políticos etc).

Nunca havia ficado muito claro, para mim, meus motivos para partir. Francamente, seria um pecado pedir mais do que eu tinha. Deus foi muito generoso comigo e eu não me atreveria a orar dizendo que queria mais.

Foi aí que pintou o papo de vir para Portugal (acreditam que veio DO NADA? Suspeito... rs) e eu peguei o bonde, digo, avião. 


Foto tirada do Google

Agora acho que percebo o que vim fazer nessas terras (que poderiam ser outras, também): 


Vim recomeçar!


Percebem a magnitude disso?

Quantos não gostariam de recomeçar HOJE, sabendo o que sabem? 

Então! Meu caso. É isto o que quero fazer: 


batalhar por uma versão que me realize mais 

Eu tinha uma vida confortável, era respeitada por meus chefes, querida entre meus alunos, tinha (tenho!) alguns amigos, uma família bacana e saúde. O que mais eu poderia querer? 

Uma vida com propósito!

Incomoda-me o fato de ter 34 anos e ainda não ter descoberto o que vim fazer no mundo. Quem me dera fazer alguma coisa na qual eu obtivesse a sensação de que minha vida não está passando em branco. 

Eu poderia continuar tentando encontrar meu propósito no Brasil, mas as estradas que até então percorri não me levaram onde eu quis. 

Portanto, por que não aproveitar a oportunidade que surgiu, mudar de ares e me expor a um novo contexto? Você não faria o mesmo, se pudesse? 

Foto tirada do Google

Já imaginou uma folha em branco, em que você está completamente livre para traçar o que quiser, a partir de onde te der na telha? Descobrir coisas novas sobre o mundo, sobre si, deixar de ser virgem em mais coisas (não pensem bobagem que eu estou gastando minha poesia por aqui)... 


Ter a oportunidade de escrever um capítulo, quiçá, uma nova história, foi um presente embrulhado com laçarote e tudo que Deus me deu!!! Quanta gratidão. 


Foto tirada do Google

Estou descendo degraus, enfrentando desafios e voltando às minhas raízes, com um objectivo muito pessoal: FLORIR.




Então, respondendo à pergunta que intitula o  post de hoje: 

eu vim para cá a fim de florescer e daqui não saio enquanto eu não for Primavera. 


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Estou no Facebook (clica aqui) e no Instagram (clica aqui também), caso queira me acompanhar de perto. 

Até a próxima!





segunda-feira, 1 de abril de 2019

Sob o sol de Setúbal

No último sábado, finalmente assisti ao filme Sob o Sol de Toscana. É um filme relativamente antigo (2003), mas só hoje tive a oportunidade de assistir. Foi recomendação de uma amiga linda e não poderia ter sido mais acertada. Obrigada, Cíntia! 

Sob o Sol de Toscana é um filme que te prende, mesmo dispensando drama, efeitos especiais, carnificina e suspense. Se você não tiver planos para o fim do dia e quiser presentear a si com algo leve, delicioso e inspirador, assista a esse filme. Tem no Netflix. 

Foto do Google

Além do deleite que o filme, em si, traz, confesso que ele trouxe algumas questões que me foram muito familiares e vou compartilhar com vocês:

Achei a abordagem do filme super lúcida. Em linhas gerais, digamos que a história trata de uma mulher madura que resolveu conduzir sua vida em direcção a um caminho diferente daquele que é main stream: a personagem vai para uma vila em Toscana. Longe do agito. Isolamento da cidade grande. Vila. Pouca gente. Um vida longe dos holofotes. Deixar uma trajectória para trás e começar outra. Essa é uma das ideias da narrativa, eu diria.

O que mais gostei na história é que ela não segue o clichê de mostrar que todos devemos sair da corrente dominante porque é cool, exótico e alternativo. 

Enfim, quantos de nós já não vimos/ ouvimos histórias de pessoas que "se encontraram" quando resolveram "se perder" dos caminhos óbvios socialmente reconhecidos? Parece que basta uma escolha e pluft: a vida, de repente, passa a fazer sentido. Essa ideia de que há uma escolha certa e basta fazê-la para ser feliz é romantizada demais. Nenhum processo é 100% seguro e bem sucedido. Nenhum... e já aviso que o filme não segue essa linha previsível. 

Ao longo de sua história de mudança, a personagem tem crises, questiona-se sobre o que está fazendo, fica de saco cheio, encontra alegrias, enfadonha-se novamente, cria expectativas, surpreende-se... Tão humano e real quanto nossas vidas, nossas escolhas. Nossos altos e baixos.


Quando cheguei a Portugal, em um contexto totalmente diferente, tive medos que antes não tinha. Eu sabia que era esperado de mim que eu saísse de onde estava para uma situação melhor, caso contrário, seria aquela velha máxima de que "brasileiros são vira-latas e preferem deixar o conforto do próprio país para viver mal no país dos outros".  

Nessas circunstâncias, o pior cenário que eu poderia apresentar seria assim, bem romântico: a de que larguei o luxo de meu lar para morar em uma casinha pitoresca, decorada com flores colhidas do jardim e móveis vintage. Acho que essa seria uma "piora" socialmente compreensível, mas não tenho certeza. rs 

Imaginem, contudo, a sensação que tive quando não pude entregar para as pessoas nenhum desses 2 contextos - não mudei para melhor, nem regredi para uma casinha pitoresca.

Foto do Google

Se eu te contar que vim morar em uma casa normal, cercada por uma vizinhança feia e que dois terços de nossas roupas ainda estão nas malas (porque não há espaço para esvaziá-las) seria ok? 

Seria aceitável imaginar que saí de uma casa com uma cozinha super jeitosa e vim parar em uma cuja pia é minúscula e torna o lavar a louça caótico? 

Alguém pensaria que a minha casinha é original se eu dissesse que as roupas sujas estão em cima da geladeira, por falta de lugar melhor?

Pareceria que estou no paraíso se vocês soubessem que nosso carro teve a porta amassada em uma tentativa de furto e que nossa casa fede porque a rua tem cheiro de esgoto? Pasmem: há dias que o mau-cheiro me acorda.


Carro amassado. Tentativa de furto

Quem entenderia que eu deixei uma casa maravilhosa, que mais parecia uma pousada, para também ser feliz em uma casinha dividida irmãmente com mosquitos? Quando abro as janelas da casa, forma-se uma nuvem de moscas que só consigo eliminar com insecticida e nem sempre uso tal artifício por causa de Dalila. Então, na maioria das vezes, ficamos com as moscas rondando a sala mesmo. Muito singular. 


Moscas no parapeito da janela. Usamos insecticida e deu até para fazer esse montinho com elas.

Enfim, quando se inventa de mudar de vida, espera-se que será para melhorá-la e que o autor da mudança encontre-se feliz e destemido. Mas essa expectativa coloca uma cobrança muito alta no autor da mudança. 

Ninguém me criticou, a não ser eu mesma, imaginando o que iriam falar de mim. Confesso, que, várias vezes, senti vergonha da minha situação, imaginando que perderia a credibilidade por uma escolha, supostamente, tão "errada". Já imaginava que as pessoas me acusariam de deslumbrada, sei lá. Ao mesmo tempo, sentia-me culpada por não estar radiante com a minha nova vida "diferentona". 

Como tudo na vida é aprendizado, obtive mais este de toda essa situação: não foi o sol de Toscana que brilhou de maneira mais especial, mas, sim, a maneira  como a personagem enxergou a vida e lidou com os acontecimentos - bons e ruins. Do mesmo modo, não é o Sol de Setúbal, em si, que me traz um feed lindo no Instagram (me segue lá): é minha capacidade de perceber a beleza a minha volta.

Eu fui feliz Sob o Sol de Piedade...
Eu fui feliz Sob o Sol de Pilares...
Eu fui feliz Sob o Sol de Mury...

Eu sou feliz Sob o Sol de Setúbal...


E serei feliz Sob qualquer lugar onde haja Sol...

PORQUE EU SOU ASSIM: FILTRO O QUE HÁ DE BOM E APROVEITO

Há um tempo atrás, quando ainda estávamos no Brasil, meu marido precisou ser atendido em um hospital público. Foi demorado, desorganizado, precário, sujo... Mas, em meio ao caos, ainda consegui extrair algo positivo dali e escrevi sobre esse dia, em um post do Instagram (clique aqui para ler).

É verdade que demorei para conseguir sintonizar meu olhar para o que havia de bom, quando cheguei a Portugal. Agora, já estou em equilíbrio de novo. 

Não pensem que, por que meus relatos sobre PT são apaixonados,  estou na Terra da Fantasia. As moscas seguem fazendo baile na minha casa, o cheiro de esgoto continua, a pia não cresceu e em cima da geladeira ainda é o melhor lugar para colocar a roupa suja. 

Às vezes imagino que vão me criticar dizendo que eu sou vira-latas e blá-blá-blá. Mas a vida é minha e as escolhas também. O máximo que posso fazer é emprestar minhas lentes, como neste post,  para que vejam as coisas sob a minha óptica.

Por hora, estou satisfeita por ter descoberto que sempre consigo tirar o melhor do que está diante de mim: minha capacidade de valorizar o que há de bom rende-me dias mais felizes e  isso é inerente a mim. 

No entanto, como o sol nasce para todos, pode funcionar para você também.

Foto do Google

Conta para mim: você está sendo feliz Sob qual Sol?

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Estou no Facebook (clica aqui) e no Instagram (clica aqui também), caso queira me acompanhar de perto. 

Até breve!