quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Voltei para o meu ex do Brasil

Olá, pessoal! Tudo bem? 

Espero que sim. :)

Hoje venho trazer uma narrativa um tanto pessoal, mas que acaba por ter relevância ao blog uma vez que o cenário e encaminhamento dessa história tem a ver com a minha estadia aqui, na Terra do Tiozão. Querem entender? Vamos aos fatos:

Que atire a primeira pedra aquele que teve um amor platônico na infância e quando ficou mais jovem acabou por seguir a ordem natural das coisas e,  na primeira tentativa, foi se amarrando por completo.  

Você flerta, passa tempos decidindo o que é melhor para si e acaba por se convencer de que não há opção mais acertada. Você investe "tudo" (ok, é um tudo jovem, com toda a pouca experiência de vida que tem, mas é "tudo")  e, quando vocês finalmente começam a caminhada lado a lado, eis que vem o balde de água fria:

Será que calculei mal? Será que era isso mesmo que eu queria? Será que entrei nisso por querer ou medo de não conseguir mais nada?

A dor de ter escolhido erradamente é ruim. Mas, pior ainda, é quando você, no auge dos seus 17/18 anos, acha que não tem mais opção e que tudo está perdido. Imagine! 

Assim aconteceu comigo. Quando eu engravidei, vi que não tinha mesmo a menor chance: teria que seguir o rumo outrora tão cuidadosamente selecionado - já não podia criar uma filha sem contar com ele. Sabem o tal papo  "ruim com ele, pior sem ele?". Então. 

Foi por isso que mantive este relacionamento que começou mal e só piorou com o estresse de uma gravidez não planejada: cheio de altos e baixos, momentos de luta, outros de glória. Às vezes batia a sensação de estar fazendo a coisa certa, mas, muitas vezes eu me sentia revoltada, amargando a sensação de merecer coisa melhor. Pior ainda era quando as pessoas, querendo ajudar e agradar, acabavam por dizer:

"Mas vocês nasceram um para o outro!" - Seria verdade?

Quando eu estava na rua, confesso: era bom, eu me realizava. Contudo, em casa é que as coisas se complicavam: meu tempo era todo drenado por  ele - não havia tempo livre sossegado, minha falta de confiança em mim mesma faziam-me submissa a tudo que me era exigido... E foram muitas as exigências, tantos os caprichos! Havia muita coisa que só existia na minha cabeça, verdade seja dita, mas o receio de não parecer merecedora me fazia abrir cada vez mais mão de mim em prol dele. 

Assim, um ciclo de rancor começara: eu me zangava porque queria mais, desejava retribuição à altura de minha entrega. Eu cobiçava poder frequentar lugares que ele não poderia me levar e queria ter coisas que ele provavelmente não poderia me proporcionar. 

Logo eu, que havia não só o desejado tanto, mas também investido sinceramente em nossa jornada...

Quando vim para Portugal, decidi aproveitar o afastamento óbvio para dar fim ao drama que respirava por aparelhos há pelo menos uma década.  

Quis buscar outra vida, novos ares. Europa, cara! 

Fiz meus testes, não nego:

Teve um que encheu meu peito de esperança, que me deu aquela sensação de "agora vai".  Fui a festas e lugares que, não fosse por ele, ainda não teria conhecido aqui, na Terrinha. Eu já estava quase convencida de que tinha vindo para cá somente para virar Cinderela - mas me enganei. Quando muita gente se mete, nunca dá certo. 

Teve outro que era MUITO parecido com o brasileiro. Mas foi exatamente como um revival - fiquei contente por estar de volta e grata pela intimidade instantânea, porém, logo me  arrependi quando o dia a dia veio com sua fatídica familiaridade. Perguntei-me: "o que é que eu tô fazendo?". Como já tinha visto aquele filme, caí fora.  

Tive até uns freelances. Um dia rolava, depois ligava na semana seguinte. Até que nunca mais. Nosso tempo acabara. Fugaz.

Foi aí que, por força das circunstâncias, me recolhi e cuidei de mim ao tratar da coluna e eliminar excessos (de cabelo, de peso, de cobranças e de ansiedade). Eu havia adoecido e não tinha me dado conta até então. 

É curioso como todo mundo fala que só encontramos o THE ONE quando estamos prontos, fortes e desarmados, não é? 

Pois então. 

Outras perspectivas estavam coroando meu horizonte quando, em um dia qualquer, recebo um telefonema de um gênero muito igual ao do Brasil, porém mais leve, com menos demandas. Sabe aquele tipo que te deixa a vontade para ser o que é, que não te controla de nenhuma forma e te é grato por você simplesmente dizer-lhe "sim"? Era óbvio que eu iria sucumbir... rs

Logo de primeira, deu tudo tão certo que fiquei muito empolgada. Era o sabor acolhedor da familiaridade com pitadas fresquinhas de novidade: a química foi instantânea. Meu coração encheu-se logo no primeiro encontro, tão bom sentir-se querida, desejada e acolhida! 

Com toda a minha história pregressa no Brasil, percebi que estava em um relacionamento abusivo e, como fruto disto,  acabei por entrar em um ciclo vicioso de ver-me como vítima, de adiar minhas vontades, de viver em função de agradar. Essa dinâmica me trouxe um desgate absurdo e o que eu não havia percebido é que eu não precisava pular fora de nada, só precisava pôr a cabeça no lugar. Quando estamos muito sentidos, tendemos a ficar radicais. 

Assim, o resultado  de tudo isto é o que está no título deste texto:

Voltei para o meu ex do Brasil. 

Para o meu ex-trabalho. 




No próximo post eu conto como foi a nossa reconciliação. ;)

Até lá!