quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Voltei para o meu ex do Brasil

Olá, pessoal! Tudo bem? 

Espero que sim. :)

Hoje venho trazer uma narrativa um tanto pessoal, mas que acaba por ter relevância ao blog uma vez que o cenário e encaminhamento dessa história tem a ver com a minha estadia aqui, na Terra do Tiozão. Querem entender? Vamos aos fatos:

Que atire a primeira pedra aquele que teve um amor platônico na infância e quando ficou mais jovem acabou por seguir a ordem natural das coisas e,  na primeira tentativa, foi se amarrando por completo.  

Você flerta, passa tempos decidindo o que é melhor para si e acaba por se convencer de que não há opção mais acertada. Você investe "tudo" (ok, é um tudo jovem, com toda a pouca experiência de vida que tem, mas é "tudo")  e, quando vocês finalmente começam a caminhada lado a lado, eis que vem o balde de água fria:

Será que calculei mal? Será que era isso mesmo que eu queria? Será que entrei nisso por querer ou medo de não conseguir mais nada?

A dor de ter escolhido erradamente é ruim. Mas, pior ainda, é quando você, no auge dos seus 17/18 anos, acha que não tem mais opção e que tudo está perdido. Imagine! 

Assim aconteceu comigo. Quando eu engravidei, vi que não tinha mesmo a menor chance: teria que seguir o rumo outrora tão cuidadosamente selecionado - já não podia criar uma filha sem contar com ele. Sabem o tal papo  "ruim com ele, pior sem ele?". Então. 

Foi por isso que mantive este relacionamento que começou mal e só piorou com o estresse de uma gravidez não planejada: cheio de altos e baixos, momentos de luta, outros de glória. Às vezes batia a sensação de estar fazendo a coisa certa, mas, muitas vezes eu me sentia revoltada, amargando a sensação de merecer coisa melhor. Pior ainda era quando as pessoas, querendo ajudar e agradar, acabavam por dizer:

"Mas vocês nasceram um para o outro!" - Seria verdade?

Quando eu estava na rua, confesso: era bom, eu me realizava. Contudo, em casa é que as coisas se complicavam: meu tempo era todo drenado por  ele - não havia tempo livre sossegado, minha falta de confiança em mim mesma faziam-me submissa a tudo que me era exigido... E foram muitas as exigências, tantos os caprichos! Havia muita coisa que só existia na minha cabeça, verdade seja dita, mas o receio de não parecer merecedora me fazia abrir cada vez mais mão de mim em prol dele. 

Assim, um ciclo de rancor começara: eu me zangava porque queria mais, desejava retribuição à altura de minha entrega. Eu cobiçava poder frequentar lugares que ele não poderia me levar e queria ter coisas que ele provavelmente não poderia me proporcionar. 

Logo eu, que havia não só o desejado tanto, mas também investido sinceramente em nossa jornada...

Quando vim para Portugal, decidi aproveitar o afastamento óbvio para dar fim ao drama que respirava por aparelhos há pelo menos uma década.  

Quis buscar outra vida, novos ares. Europa, cara! 

Fiz meus testes, não nego:

Teve um que encheu meu peito de esperança, que me deu aquela sensação de "agora vai".  Fui a festas e lugares que, não fosse por ele, ainda não teria conhecido aqui, na Terrinha. Eu já estava quase convencida de que tinha vindo para cá somente para virar Cinderela - mas me enganei. Quando muita gente se mete, nunca dá certo. 

Teve outro que era MUITO parecido com o brasileiro. Mas foi exatamente como um revival - fiquei contente por estar de volta e grata pela intimidade instantânea, porém, logo me  arrependi quando o dia a dia veio com sua fatídica familiaridade. Perguntei-me: "o que é que eu tô fazendo?". Como já tinha visto aquele filme, caí fora.  

Tive até uns freelances. Um dia rolava, depois ligava na semana seguinte. Até que nunca mais. Nosso tempo acabara. Fugaz.

Foi aí que, por força das circunstâncias, me recolhi e cuidei de mim ao tratar da coluna e eliminar excessos (de cabelo, de peso, de cobranças e de ansiedade). Eu havia adoecido e não tinha me dado conta até então. 

É curioso como todo mundo fala que só encontramos o THE ONE quando estamos prontos, fortes e desarmados, não é? 

Pois então. 

Outras perspectivas estavam coroando meu horizonte quando, em um dia qualquer, recebo um telefonema de um gênero muito igual ao do Brasil, porém mais leve, com menos demandas. Sabe aquele tipo que te deixa a vontade para ser o que é, que não te controla de nenhuma forma e te é grato por você simplesmente dizer-lhe "sim"? Era óbvio que eu iria sucumbir... rs

Logo de primeira, deu tudo tão certo que fiquei muito empolgada. Era o sabor acolhedor da familiaridade com pitadas fresquinhas de novidade: a química foi instantânea. Meu coração encheu-se logo no primeiro encontro, tão bom sentir-se querida, desejada e acolhida! 

Com toda a minha história pregressa no Brasil, percebi que estava em um relacionamento abusivo e, como fruto disto,  acabei por entrar em um ciclo vicioso de ver-me como vítima, de adiar minhas vontades, de viver em função de agradar. Essa dinâmica me trouxe um desgate absurdo e o que eu não havia percebido é que eu não precisava pular fora de nada, só precisava pôr a cabeça no lugar. Quando estamos muito sentidos, tendemos a ficar radicais. 

Assim, o resultado  de tudo isto é o que está no título deste texto:

Voltei para o meu ex do Brasil. 

Para o meu ex-trabalho. 




No próximo post eu conto como foi a nossa reconciliação. ;)

Até lá!

domingo, 22 de novembro de 2020

A magia do churrasco carioca

Churrasco é popular no Brasil. Mas deve variar de região para região. Acredito nisto porque até dentro da cidade do Rio de Janeiro, parece que há certas categorias dentro do evento "CHURRASCO". Vamos ver se concordam comigo:



Temos, sendo o mais fraco de todos, mas não menos divertido, o CHURRALCOOL. Normalmente praticado pelos jovens de 20 e poucos anos. Pouca carne, muita bebida e amizades para uma vida inteira. Neste evento, a velha máxima "nunca fiz amigos bebendo leite" predomina. E haja amizade. 🙄😜


Temos também o CHURRASQUINHO que pode ser dividido em 2 sub-categorias: o SÓ PARA GENTE e o QUEIMAR UMA CARNE. Um churrasquinho SÓ PARA GENTE é mesmo para os manos de fé e, pelo número reduzido que este seleto evento pressupõe, normalmente, implica em um churras mais high level em termos de bebidas e tipos de carne. Já quando estamos diante do evento QUEIMAR UMA CARNE, a ideia é fazer tudo beeeeem despretensiosamente - dispensa linguiça, asinhas e corações. O orçamento para esse evento é enxuto e ele é só um pretexto para reunir os amigos. É muito comum ter esse tipo de evento em dia de jogo de futebol. 


Entrando na categoria mais elevada, temos o verdadeiro CHURRASCO - nem churralcool nem churrasquinho (e variantes)! O CHURRASCO também é dividido em duas categorias: o PLANEJADO e o EMPOLGADO. 


O PLANEJADO é auto-explicativo. Como é programado com antecedência contempla todos os aspectos do evento: pão de alho, linguiça, asinha, drumet, coração, carnes (podendo até ter carne de porco, picanha e/ou costela), salsichão (para as crianças), acompanhamentos e sobremesas. É um luxo, é regado!  Começa por volta de 12h mas quase sempre dura até umas 16h,17h. 


Já o churrasco EMPOLGADO é uma arte. Quase sempre nasce de um dia para o outro: trata-se de um evento que surge do nada e sem motivo algum. Curiosamente, é tão popular quanto qualquer outro. Semelhantemente aos demais modelos, a logística do churrasco EMPOLGADO é feita ou por meio da divisão dos custos com quem fez as compras ou por meio da divisão de tarefas: cada um leva o que comer e beber. 


De um modo geral, as mulheres envolvidas ficam na cozinha ajudando a anfitriã a preparar os acompanhamentos (arroz, farofa, maionese e molho à campanha). Os homens começam a beber quando ainda estão acendendo o braseiro e, embora o evento conte com TODOS os homens presentes à volta da churrasqueira, só há um fazendo o churras - os outros só entretêm o churrasqueiro e "beliscam" (petiscam) o que sai em primeira mão. É uma espécie de camarote do evento.


A sobremesa normalmente é levada pelos que costumam chegar  atrasados ou menos habilidosos na cozinha - sempre é sorvete (napolitano, flocos ou creme). 


Os acompanhamentos são uma mera base do que se espera, mas quando são trazidos já prontos para a festa, o céu é o limite: 


Eu, por exemplo, gosto de maionese com ovo cozido, mas há quem coloque uva passa e maçã para gourmetizar. Molho à campanha pode ser raiz ou Nutella, com cebola roxa para arder menos. 😒 Há quem prepare pão de alho comprando tudo pronto e embalado, quem compre somente a pasta pronta e há os que  fazem a própria pasta - que pode ser feita com   maionese ou manteiga. Nunca vi com azeite, mas deve existir também.


A farofa é quase universal: linguiça e/ou bacon. Farofa de ovo no churrasco é uma falta de respeito. Mas, verdade seja dita, dependendo da pressa, pode rolar farofa Yoki só para "chuchar" a carne na farinha. Nada como uma farofinha para juntar à  carne e passar pela adrenalina de desempapuçar com AQUELA golada de cerveja  😅


O churrasco EMPOLGADO começa cedo, tipo umas 11h e vai até mais tarde porque tudo atrasa. Os convidados, por ética cultural, começam a chegar A PARTIR das 11:30 e até que tudo seja feito (lembram que foi tudo marcado em cima da hora?), O almoço quase sempre acontece por volta das 15h. 



Depois de tanto trabalhar, é que todo mundo senta para descansar da maratona e o esforço começa a valer a pena.  Esse descanso pode ir tranquilamente até às 22h/23h da noite - mas nunca se for domingo. 


Espero ter ajudado a todos os amigos que vierem a ser convidados para um churrasco carioca. Contem comigo para acompanhá-los ao evento se estiverem com muitas dúvidas, afinal, churrasco carioca não é para amadores mas eu dou conta. 😋😜




sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Quero morar em Lisboa! - Quer mesmo?

 Olá, pessoal. Tudo bem?

Espero que sim. :)

Como vocês já devem saber, estou no ramo imobiliário há pouco mais de 1 ano. O fato de estar no ramo há um tempo considerável e de já ter falado com inúmeras pessoas, dentre elas, muitos brasileiros, fez-me perceber que, eventualmente, os clientes que não conhecem Portugal têm algumas "cismas" e acabam por reduzir desnecessariamente seu campo de busca na hora de escolher onde morar. 

Assim, gostaria de propor uma reflexão para você, que "cismou" com Lisboa e arredores:

Então você quer ir para Lisboa?

Imagem retirada do Pinterest - (quero essa fofura oriental para mim) 

É claro e evidente que não vou diminuir Lisboa - a capital de Portugal, a magnânima, salve-salve, onde tudo acontece, onde o clima é quente, a cidade é cosmopolita, onde há de um tudo. Olhando por esta perspectiva, quem não quer ir morar em um lugar destes? Diversas oportunidades de trabalhos, melhores salários, mais opções de lazer, aeroporto local, boa malha de transportes ferroviários... Todos estes pontos fazem Lisboa ser o que é. 

No entanto, o que eu percebo é que, muitas vezes, as pessoas dizem o que desejam sem ter clareza do que precisam ou do que, de fato, representa as suas vontades genuínas. 

Vou explicar.

Quase todo mundo responderia DEZ! caso fosse questionado, em uma escala de 0 a 10, quanto gostaria de ter felicidade. Não imagino ninguém dizendo que gostaria de ser feliz no nivel 7, por exemplo. O mesmo para riqueza. Você visualiza alguém dizendo "ah, quero ser rico nivel 5". Sempre queremos o que há de melhor, de mais desejável. O que acontece é que, por muitas vezes, observo que este "melhor" é socialmente construído, mas não necessariamente combina exatamente com o que você deseja de verdade. Todo mundo gostaria de passear mais, de ir a pé ao teatro e de frequentar o aeroporto frequentemente. Contudo, na prática, encontro pessoas que nunca foram ao teatro antes, que dormem cedo e não saem à noite. Há outras que, até gostam de viajar, "mas bom mesmo é chegar à casa". 

Já entenderam onde quero chegar?

Lisboa é muito completa, óbvio! Porém, tenha em mente que isto traz ônus: 

  • os imóveis são mais caros;
  • os serviços são até mais variados, mas, também podem ser menos exclusivos (afinal, você é só mais um cliente no meio de tantos outros);
  • há maiores ofertas de trabalho, mas a competitividade também é mais acirrada; 
  • os salários são mais altos mas o custo de vida também é;

Ou seja, Lisboa é ótima mas nem todo mundo está realmente disposto a encarar seus ônus se os bônus não falarem diretamente ao coração.

Falo por mim, na esperança de verbalizar um sentimento comum à mais pessoas:

Ir ao teatro assistir orquestras e balés parece-me sensacional. 

Frequentar eventos abertos e gratuitos à noite seria ótimo para tirar a poeira da minha vida social. 

Rodar Portugal usando e abusando da malha ferroviária seria TOP.

Entretanto, a minha realidade é que nem sempre estou com capital para investir em cultura; sair, à noite, para locais abarrotados deixa-me desconfortável e eu morro de preguiça só de pensar em me arrumar para chegar tarde e ter que tirar a produção toda #tragoverdades. Para ser honesta, eu quase nem viajo por causa da minha cadela (substitua pelo que eventualmente te prende ao fim de semana: filhos, netos, dinheiro, pets, pais idosos, trabalho etc). 

As facilidades que Lisboa poderia me oferecer abundantemente não são aproveitadas com a mesma intensidade porque, no fim das contas, meu estilo de vida não tira vantagem do estilo de Lisboa. É como pagar por um Iphone 11 e só usá-lo para ver a hora. Você daria um celular de última geração, com todos os recursos possíveis, só para a sua avozinha de 95 anos ligar para você aos domingos? 

Lisboa seria o Iphone e eu seria a avozinha de 95 aninhos... hehehehe 

É too much, maravilhoso, mas eu não preciso de toda essa potência. 

Não adianta querer morar ao lado do Aeroporto para viajar 3x ao ano - quando muito. Se você gasta mais tempo em casa, ou explorando o interior de Portugal, por que Lisboa? Lembrando que ainda há outros distritos com aeroporto também...

Se você é o tipo de pessoa que, quando gosta de um restaurante vira freguês e, se calhar, senta até na mesma mesa, não faz sentido pagar mais para viver em uma cidade que te oferece 300 opções de restaurante, já que você vai acabar indo no favorito mesmo. #eutodinha

Se você gosta de praticar esporte de manhã cedinho (tem cura para você no altar! kkkk), é provável que você nem seja essencialmente baladeiro, pronto para passar a noite na rua. Então, para que insistir em viver em uma cidade que não dorme, quando às 22h da noite você está escovando o dente para ir deitar? 

Sendo assim, quando eu digo que todo mundo deseja mais diversão, opção de lazer, serviços e empregos é mais do que compreensível. Socialmente, aprendemos que ter tudo isso é muito bom - e é! - desde que você usufrua disto. 

Minha grande questão é que nem todos precisam destas coisas de verdade porque elas não representam a vontade genuína do seu eu, que pode ser mais caseiro, introvertido, metódico, paradão, diurno, praieiro, noturno etc. 

Pense no que te faz feliz e execute seu projeto de vida de acordo com isso. Se você gosta de pescar, procure o lugar onde possa fazer isso com frequência. Se a tua onda é jogar video game, qualquer lugar com boa internet vai estar valendo. 

Não escolha um lugar pelo glamour, ainda que você possa pagar por ele. Reflita se os eventos que você prevê frequentar farão parte de sua vida esporadica ou rotineiramente. 

Por fim, você deve estar pensando: mas eu posso ir para as cidades vizinhas, nomeadamente, Torres Vedras, Mafra (que, ao que parece, estão com boa reputação entre os brasileiros) etc. 

Sim, você pode. 

Mas, novamente, deixo aqui a pergunta: o que estas cidades realmente têm que tanto te agradam? Qual é o diferencial delas? Se você souber responder a esta pergunta, ótimo. Vá em frente, sinal de que você conhece a si mesmo, sabe o que valoriza e já encontrou o que procura.

BEBÊ JAPINHA || LOMOTIF || FIGURINHA DO WHATASPP || BEBÊ COREANA ... 

Imagem retirada do Google

Porééééém, se você está pensando em ir para estas cidades só pela proximidade de Lisboa e imóveis com preços menos acentuados, decida se essa proximidade à capital é mesmo tão importante. Aposto que você encontra cidades tão interessantes quanto estas (e não menos "modernas"), com imóveis a preços bem mais convidativos (o que te habilita a comprar uma habitação de melhor qualidade e conforto), em outras zonas do país. 

Já disse muitas vezes, gosto da zona Centro do país - que ainda não é tão visada quanto estas cidades que circundam Lisboa, nem como Braga (norte) e Setúbal (sul). 

A zona Centro é pacata, é um "Portugal raiz". Há teatros e eventos a céu aberto também (sempre que posso, vou). O fato de os eventos serem em escalas menores, apetecem-me de ir, de participar. Sinto-me segura e integrada na comunidade. Adoro esse senso de pertencimento, de encontrar colegas de trabalho, pessoas que me prestam ou para quem presto serviços e vizinhos nos eventos! É bonito ver todo mundo junto. É gostoso pensar que também há paz e integração no mundo. 

Mas, claro, o Bon Jovi não virá fazer show aqui na Marinha Grande. <ponto final> 

No entanto, caso a banda venha à Lisboa, eu posso me organizar e fazer um bate-e-volta (afinal, estou a pouco menos de 1h:30min de lá).  Ou ainda posso ir até a capital e dormir por lá, afinal, a cidade está sempre pronta a receber pessoas de fora. 

Pessoalmente, gosto do sossego da minha vidinha. E, quando quero um agito, prefiro deslocar-me até ele do que tê-lo à minha porta ou em minha cidade. 

Ainda há muito o que explorar nesta temática, mas esse post já deve ter dado material para você confirmar, ou duvidar, se quer mesmo ir para Lisgood. ;)

Meu marido é consultor imobiliário e sou sua assistente. Contacte-nos pelo e-mail rbarbieri@remax.pt e esclareça suas dúvidas sobre habitação e crédito-habitação. Ajudamos-te a comprar teu imóvel em Portugal e a conseguir crédito para tal. Faça contato! Faça perguntas! Tome iniciativas!

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Até a próxima. 

domingo, 9 de agosto de 2020

Saúde pública em Portugal: internação| nossa experiência


Olá, pessoal! Tudo bem?

Espero que sim. ;)

Hoje vim trazer a parte II de nossa experiência no Hospital Santo André, em Leiria. Se você perdeu a parte I, ou seja, nossa experiência até o momento de internação, é só clicar aqui

No post de hoje, vou relatar os pormenores de como foi o dia a dia no hospital, durante a internação de meu marido. Acredito fortemente que, ao fim do post, você sentirá um quentinho no coração. rs

Após nossa experiência no hospital de Leiria, passei a estar descansada quanto à saúde pública no distrito e concelho onde estou. Vamos bisbilhotar o que rolou por lá? Siga a leitura.

1.  Sobre a infraestrutura: hospital grande, claro, limpo, amplo, cuidado. Não havia nada degradado, destruído ou que te fizesse sentir ainda pior. Como a minha última experiência de saúde no Brasil foi no hospital público (para entender, vá no post anterior clicando aqui), eu temia, do fundo do meu coração, ir para o hospital em Leiria e reviver a angústia que eu conhecera. Pensem em uma pessoa apavorada em lidar com um hospital sem estrutura e temerosa em ser discriminada pela nacionalidade. Nada disso aconteceu e fiquei aliviada e agradecida. Primeiramente, o hospital era muito melhor do que eu imaginara, em termos de infraestrutura, e, segundamente, muitos profissionais de saúde até puxavam conversa conosco por sermos brasileiros, falando que tinham família no Brasil, que achavam o país muito bonito, que gostariam de conhecer... Enfim... Fofos. 

2. Além da infraestrutura, a limpeza e higiene eram notórias não só onde o público vê, mas também nas partes menos visitadas, nomeadamente, no quarto dos pacientes. Durante o período em que Barbieri esteve internado, os quartos eram limpos e as camas eram higienizadas com álcool todos os dias , normalmente, na hora do banho dos utentes. Já no segundo dia de internação, uma das técnicas passou nos quartos pedindo a roupa suja dos pacientes. Meu marido disse a ela que a dele estava limpa, pois havia recebido a roupa no dia anterior, já à noite, mal tinha 12h com o pijama. A senhora então lhe respondeu que eles precisavam trocar a roupa diariamente - e, assim, ele recebia seu kit de roupas limpas e passadas. Higiene. Cuidado. Respeito. O certo, né, gente? 

3. Assim que Barbieri foi internado,  foi-lhe feito um questionário para saber que remédios ele usava continuamente. Na época, ele estava a tomar medicamento para queda de cabelo e para o colesterol. Barbieri pensou que esse questionário era apenas para que o hospital tivesse ciência de possíveis interações medicamentosas - e até podia ser isso mesmo. Mas, o que o surpreendeu, é que, já no segundo dia internado, a equipe do hospital providenciou os medicamentos que ele havia mencionado (um deles nem eram tão importante) e os fornecia diariamente, com seu nome e na dosagem correta para o dia. 

4. A equipe de enfermagem foi toda muito atenciosa e humana! Houve um momento, enquanto estávamos na sala de espera, que uma senhorinha estava passando mal - não me lembro do que. A técnica de enfermagem deu-lhe atenção, carinho e cuidado: "Vou colocar a senhora sentadinha aqui. Quer um chazinho? Eu vou buscar. Com açúcar?". Sim, os portugueses gostam de ajudar, são amistosos e carinhosos - quem não é assim, é minoria. (Isso aconteceu antes da internação, mas entra na minha categoria pessoal de "quentinho no coração", então fica nesta postagem hehehhheh). 

5. Voltando ao dia a dia hospitalar, Barbieri ficou em um quarto compartilhado com 3 leitos. O banheiro ficava fora do quarto, mas, pelo que vi na ala em que ficou (cirugia), a cada 2 quartos, havia um banheiro. Banheiro este com água quente, shampoo e gel de banho coletivos e toalhas que deviam ser postas em um cesto próprio para toalhas e roupas usadas. 

6. Comida: Barbieri comeu poucos dias no hospital por causa da diverticulite (lembram que ele estava em dieta zero? Então!). Porém, observando a comida de seus colegas de quarto, afirmava que a comida estava muito bem apresentada, bonita mesmo. Teve bacalhau, peixe, carne de porco... Um luxo! hehehehe Mas, depois que começou a alimentar-se, ele e seus colegas de quarto eram unânimes: a comida era mesmo bonita, mas não tinha gosto de nada, nem textura familiar. Uma ilusão. rsrs Que pena. 

7. Barbieri, acostumado com o hospital dos bombeiros, surpreendeu-se com seu leito: cama toda elétrica e com controle remoto para o paciente poder variar as posições. Pois é. Isso em um hospital público! Que bacana, né? 

Agora, vou compartilhar um evento divertido:

Quando foi decidido que Barbieri seria internado, ele precisava colocar a roupa do hospital para ir ao quarto. Como foi tudo meio que arranjado na hora, não tinha a camisa ideal para o tamanho dele e a que lhe arranjaram, estava sem um botãozinho. Barbieri pensou em subir para a ala da cirurgia, onde estaria internado, e então trocar de roupa no wc próximo ao quarto. No entanto, a técnica pediu a ele que já subisse pronto, com a roupa que lhe fora dada. 

Missão dada, missão cumprida, né, minha gente? 

Eis que ele troca de roupa na casa de banho da sala de espera e então desfila, todo sem graça 😂 pelo hospital afora, seu look internação: um modelito todo estampado, com o logo do hospital e sua barriguinha sexy de fora por causa do tamanho da roupa inadequado e da falta de botão na camisa. Nos pés, os tênis com que tinha vindo ao hospital. Uma combinação digna da Fashion week de Paris. heheheheh 

Ele estava passando bem mal, mas, a essa altura do campeonato, estava tão grato pelo atendimento, pelo cuidado e pela experiência positiva junto à equipe Santo André, que, apesar de sua timidez,  chegou a divertir-se com a situação. Tá aí o look dele, pijaminha combinando com a roupa de cama e a carinha de alívio por estar sendo cuidado e bem atendido:


Brincadeiras à parte, achei bem legal ter roupa de cama, de banho e de dormir oferecidos pelo hospital público. 


A cereja do bolo: é agora



Lembram que eu disse que ele foi internado na véspera de Natal?

Ótimo. 

No dia seguinte, um grupo de profissionais e voluntários fantasiados de Papai/ Mamãe Noel e duendes passaram pelos corredores do hospital, desejando aos internados um Feliz Natal e distribuindo presentes. (Seu coração já derreteu?)

Barbieri ganhou uma manta (presentinho útil!) e uma caixa de bombons. Como ele ainda estava na tal dieta zero, agradeceu o presente e o recusou, explicando que não podia comê-los. Mas os voluntários disseram-lhe que ficasse com os bombons, que os desse à família. 

Generosidade. Amor. Caridade. Olhar os que estão enfermos. Doação de tempo - em pleno 25/12. Salve, Jesus!! Eu me empolgo, galera!! 

Barbieri gravou um videozinho do pessoal passando pelos corredores. Tenho vontade de abraçar a todas essas pessoas. Vejam:


Ainda sobre os voluntários, Barbieri disse que houve um dia em que passaram pelo seu quarto perguntando quem gostaria de fazer a barba, cortar os cabelos, ir à missa... Bonito de ver. Eu ainda vou participar de uma ação por lá. Quero retribuir esse derramar de amor e boa vontade que meu marido viveu, internado, em seu primeiro Natal em Portugal. 

Por fim, quero dizer que nossa experiência no hospital de Leiria foi ótima. Infinitamente melhor que o hospital público de Nova Friburgo (minha referência) e melhor que o dos bombeiros, em termos de infraestrutura. Talvez o Hospital daqui seja um pouco menos "chique" que o da UNIMED de Friburgo. Os protocolos de atendimento certamente são diferentes, mas curaram a infecção na mesma. Não vi ninguém deitado na maca em corredores. Aliás, vi, sim: uma senhora que havia recebido alta e queria ir embora mas a equipe estava mantendo-a ali, para aguardar quem viesse buscá-la. Há uns velhinhos muito levados por aqui. rs

Qual é o valor das taxas do hospital? Isso tudo varia, de acordo com o procedimento, escalão etc. O melhor a ser feito é verificar este link cujo site é oficial para terem uma ideia:



O post foi longo, mas espero ter descrito o que passamos por lá para que brasileiros interessados em Leiria tenham uma ideia do que esperar. E, espero, acima de tudo, que bem haja a todos os profissionais de saúde que trabalham com a mesma boa vontade do staff que nos atendeu. Deus abençoe vocês. Obrigada, do fundo do meu coração.


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Estou no Facebook (clica aqui) e no Instagram (clica aqui também), caso queira me acompanhar de perto.

Quem você conhece que tem interesse em vir para cá? Manda essa postagem rica em detalhes para essa pessoa, ajude a ela e a mim. ;)

Até o próximo post!


sexta-feira, 31 de julho de 2020

Saúde Pública em Portugal | nossa experiência


Olá, pessoal! Tudo bem?

Espero que sim. ;)

O texto de hoje servirá para registrar nossa experiência com o Hospital Santo André, no distrito e concelho de Leiria.

Quando estávamos nos organizando para vir para Portugal, senti uma certa carência de pessoas falando sobre tal hospital. Pelo que lia no jornal, inclusive, a coisa não andava nada boa. Então, sabendo que ainda há muita gente que gosta de ler e está "pescando" o máximo de informações para saber onde morar cá, venho relatar como foi o atendimento neste hospital. 

Em primeiro lugar, preciso situar vocês sobre qual era a minha referência, em termos de hospital brasileiro.

√ Já tive plano de saúde Bradesco, era top. Ao longo da vida, fui tendo downgrades (as empresas cada vez mais paravam de ter convênios com planos renomados) e o último plano de saúde que tive era um da UNIMED, regional,  com coparticipação. Portanto, eu usava o hospital da rede e fazia exames no laboratório Sérgio Franco, salvo engano.
√ Meu marido usava o hospital do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, no Rio Comprido. Quem já esteve lá, sabe: médicos de altíssima qualidade, equipamentos e serviços funcionando honestamente (pelo menos até 2018, apesar da crise estadual na época do Pezão). Sou grata e tenho muito orgulho da equipe milagrosa operante no Hospital dos Bombeiros, mas, é óbvio que este não oferece o mesmo conforto de um hospital privado de reputação.
√ Por fim,  já tive o dissabor de ter Barbieri (marido) passando mal e ter que ir ao hospital público Raul Sertã, em Nova Friburgo. Novamente, os profissionais foram bons, dentro do que podiam fazer, mas, sinceramente, a experiência por lá foi deprimente: para dizer o mínimo, o hospital estava em obras, as paredes não viam pintura há tempos, promovendo um aspecto de sujeira. Ademais, a higiene do local no dia em que lá estive, estava um tanto duvidosa – meu marido foi atendido em uma mesa suja de sangue pelo paciente anterior que havia cortado a perna. 

Sei que detalhar tudo isso deixa o post maior, no entanto, imagino ser importante compartilhar minhas referências de saúde anteriores à Portugal, para que vocês entendam um pouco meu lugar de fala.  Na minha opinião, é crucial ter ideia de “quem escreve o quê / para quem”.

Enfim, tenho essas 3 referências hospitalares no Brasil – não presenciei nenhum terrorismo sensacionalista televisivo quando lá estive, mas também não venho do time de quem pode arcar com luxuosos quartos particulares de hospitais que parecem hotéis. 

Vamos, agora, à experiência com o Hospital Público Santo André, em Leiria:

Tudo começou quando meu marido começou a ter dores abdominais. Como ele já teve crise de diverticulite outras vezes, ficamos atentos sabendo que poderia ser um novo episódio. Assim, após o terceiro dia com dor, fomos ao posto de saúde da Marinha Grande, local onde residimos (se quiser conhecer mais desta cidade, clica aqui). 

É importante dizer que o posto de saúde serve não só para consultas médicas mas, também, para pronto atendimento. Assim, encaminhamo-nos ao posto mas a senhora que nos atendeu, sugeriu que fossemos diretamente ao hospital, para que os exames adequados pudessem ser feitos, haja vista o relatado histórico de crises diverticulares e o tempo que já estava com dores. 

Gravem este detalhe importante: a encrenca toda aconteceu no dia 24/12/2019, nosso primeiro Natal em Portugal. 

Sem opção, partimos para o hospital de Leiria que  fica a uns 20 minutos de nossa casa, fator este que também foi importante no momento de decidir para onde viria, conforme escrevi em outro post (clique aqui para saber mais). 


Após ginásio, hospital de Leiria pede sugestões aos trabalhadores
Foto retirada do Google

Logo assim que chegamos, fomos encaminhados para a triagem cujo atendimento foi muito rápido. Não consigo precisar o tempo, mas, talvez tenha levado até menos de 10 minutos para ser chamado. Francamente, não havia muitas pessoas por lá também, em plena véspera de Natal, mas o hospital também não estava às moscas, afinal, acidentes acontecem.  Assim que Barbieri passou pela triagem, a pulseira de prioridade foi-lhe atribuída, como é a praxe. Ele estava de pulseira amarela. 

Passados uns 30/40 minutos (já não me lembro muito bem), ele foi atendido. O atendimento foi bem tradicional: a doutora o deitou na maca, apalpou-o e tudo mais. Nada daquela ideia de que médico “nem olha para o paciente”.   Como ele não estava com febre, mas informou à médica que já precisou ficar internado antes sem ter tido tal sintoma, a médica solicitou exame de sangue, urina e ultrassom.

Assim que o exame de ultrassom saiu, a doutora viu que seus divertículos estavam inflamados e aguardou o resultado das demais análises para conjugar tudo e detectar o grau de inflamação a enfrentar. 

Verdade seja dita, o resultado demorou muito para sair. Acho que ficamos umas 4 horas só esperando por ele. 

Quando os demais resultados ficaram prontos, a médica afirmou que ele estava com uma infecção relativamente alta e, que, apesar de estar ciente da época pouco conveniente para internações, seria mais prudente que Barbieri ficasse no hospital para entrar no soro (ele teria de fazer dieta zero, nem água poderia beber!) e tomar antibióticos. 

Assim, a médica que estava a acompanhar o caso do marido, conseguiu arranjar internação para ele, que ficou na ala de cirurgia. Desconfiamos, inclusive, que este tenha sido, também, o motivo da demora para o resultado dos exames: quando a doutora falou conosco, a internação já estava adiantada, sabíamos que seria possível, Graças a Deus!!

Então, Barbieri ficou no Hospital Santo André pelos próximos 7 dias, tomando medicação e sendo visitado pelo médico não diariamente, mas à medida que dava tempo das medições fazerem efeito. Consoante sua recuperação, ele ia fazendo novos exames e avançando com a reintrodução alimentar, até voltar a comer comida sólida e os exames acusarem normalidade.

Antes desse episódio, eu estava apavorada com o hospital de Leiria cujas notícias nos jornais portugueses não eram nada animadoras.

Porém, tendo passado pelo tempo de espera da UNIMED, familiarizada com as instalações do Hospital do Corpo de Bombeiros e enfrentado um dia no Raul Sertã, tiramos tudo de letra. Heheheh

Destaco como pontos positivos:
√ cuidado médico, sem precipitação de despachar o paciente, ignorando o quadro como um todo. Não vamos esquecer que era véspera de Natal!
√ prudência e sensibilidade. Até hoje, EU, MARIANA, não sei qual era gravidade da infecção do Barbieri. Pode ter sido gravíssima, para que a internação fosse recomendada, mas a doutora falou-me que se tratava de prudência. Caso a situação fosse mesmo ruim, ela teve o tato para passar a notícia de forma a não me apavorar – e a verdade é que eu estava mesmo muito aflita.


Pontos negativos:

Sinceramente? Não vi nada de anormal. Mesmo em hospitais particulares já esperei muito por atendimentos, então, acho que nesse quesito, não há nada espantoso. Penso que gastamos quase 8h no hospital - da entrada no balcão, até despedir-me do Barbieri, já sentadinho na cama da enfermaria, internado. 

O que estranhei

Portugal é menos melindroso/ dramático com pacientes. Vou explicar melhor, não desista do texto agora! Rsrs

Passamos o dia no hospital (sentados, felizmente!), aguardando o resultado dos exames e da possibilidade de internação; observamos muitas pessoas passarem por lá e o que vimos foi:

√ uma jovem, sem constrangimento, sentada no meio de todo mundo, vomitando em seu saquinho plástico.  Claro que a última coisa que uma pessoa passando mal vai ter é constrangimento. Mas, imagino que em um hospital particular brasileiro, a pessoa talvez tivesse algum tipo de pudor e tentasse ir para um local mais reservado. Como essa moça estava vomitando tanto (dava muito dó, a coitada já estava ficando verde!), foi-lhe dado um saco para expelir e -  boa sorte.  A jovem também aguardava exames e estava sem maca, sala de repouso ou remédio (não que eu tenha visto) até então; ela permanecia apenas sentada, vomitando, passando super mal e esperando seu diagnóstico, junto aos demais.

√ uma senhorinha fofa chamada Dona Angélica, que estava com uma hemorragia bizarra e não parava de sangrar pelo nariz. Dona Angélica estava ótima, batendo o maior papo, esperta, animada, simpática e sorridente. Mas estava com o nariz sangrando (e não era pouco!). Assim, ela mantinha um saco plástico em seu colo, limpava o nariz ensanguentado e jogava o papel no saco que já estava cheio pela metade. Confesso que eu estava meio zonza por não lidar muito bem com sangue e dona Angélica estava ali, do nosso lado, com todo aquela hemorragia que ela secava como se estivesse assoando o nariz. Eu, acostumada com hospital particular, estranhei permanecer ali, perto de pessoas realmente doentes, sangrando e vomitando, ao meu lado. Perdoem se eu lhes parecer “patricinha” ou sei lá o quê, mas nunca estive em um hospital com fluidos alheios ao meu lado por horas na sala de espera, como se fosse super natural.  

No dia em que estive no hospital público brasileiro, calhou de um senhor ter serrado a perna em um acidente de trabalho e ele ficar ali, sangrando perto das pessoas enquanto aguardava atendimento. Então, como já disse antes, se gente virando do avesso ao seu lado, no hospital,  parece-te normal ou não, vai depender do acesso à saúde ao qual você está acostumado. Para mim, foi desconfortável porque não fazia parte da minha realidade anterior.

Esse foi um ponto que estranhei, embora, pensando bem, seja perfeitamente normal - só gente que passa mal é que vai ao hospital, né? Se a pessoa estivesse sadia, iria ao parque! 

Na próxima postagem, falarei sobre como foi estar internado lá, segundo Barbieri, dando detalhes maiores da infra-estrutura e da dinâmica do hospital. Como esse relato já está extenso, paro por aqui, tendo descrito como foi o processo até o comunicado de que ele teria que ficar lá por mais tempo.


Não perca o fim desta aventura (clique aqui para ler mais), ela te fará sorrir, tenho certeza!

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Obrigada por estar aqui. 

Até a próxima. 

sábado, 27 de junho de 2020

Portugal: como escolher a melhor cidade para morar

Olá, pessoal! Tudo bem?

Espero que sim. ;)

Eu já falei como escolhemos a zona centro para morar (leia aqui) e também tem post detalhando os motivos que me fazem amar a minha cidade (clique aqui para saber mais).


O post de hoje tem por objetivo ajudá-los a ter mais clareza do que buscam, examinando algumas questões importantes na escolha de onde viver, seja em Portugal, seja em qualquer outro canto. Vamos lá!



1. Saiba o quanto você pode gastar 

Se você tem limites financeiros, então, você terá que escolher cidades que caibam no bolso. Em Portugal, a habitação é o que mais pesa no orçamento, portanto, saber em qual sítio há imóveis mais em conta é importantíssimo. 


Porém, não se deixe levar pelo que as pessoas dizem: "Lugar X é caro. Em local Y você arrenda apartamento por 200 euros". 

Cuidado com esse tipo de informação, afinal, tudo depende. A melhor forma de saber que locais têm imóveis com preços mais justos para a sua realidade, é a seguinte:

a) Entre em sites de imobiliárias e veja o tipo de casa* que consegue pagar pelo que tem disponível no bolso. 


(*Casa em Portugal quer dizer habitação. Portanto, se você estiver procurando uma casa, de facto, selecione a opção "moradia" no filtro de buscas). 

b) Veja o que há disponível no mercado e compare os imóveis dos diferentes distritos ("estados"). Por exemplo:


Digamos que você vá comprar um imóvel e tenha 100.000 euros para investir. O que você precisará fazer, então, é entrar nos sites que indicarei adiante e verificar, em cada distrito, o que consegue comprar pelo valor que tem disponível. 


A depender do lugar onde o imóvel esteja situado, você vai ver que com os mesmos 100 000 euros do exemplo você consegue comprar algo maneiro ou porcaria.


 Aqui vão alguns sites que podem te ajudar, é só clicar neles:


2. Atente para o clima

Não negligencie um detalhe importante como este! Da mesma forma que tem muito estrangeiro de clima frio que vai curtir uma praia no verão carioca e passa altos perrengues com o nosso maçarico, você também pode estranhar a diferença climática.


Cuidado com o discurso do "adoro frio": se a sua experiência com frio é ir passar o fim de semana na serra com vinhozinho, lareira e fondue, sinto dizer, mas essa experiência deliciosa não é compatível com a realidade de meses de temperatura baixa. Você não vai andar com uma lareira dentro do casaco, nem vai almoçar foundue. Pelo menos, eu não recomendo. hehehehe

Detesto ser portadora de notícias desagradáveis, mas inverno em Portugal (norte e centro) conta com baixa temperatura, vento (daquele que uiva!) e chuva (não costuma ser torrencial - eu ouvi um amém?). Por mais sedutor que pareça, você não será uma espécie de artista estiloso usando casaco de pele no meio da chuva.

Expectativa: Elegância

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Imagem retirada do Google

Realidade: Perrengue

Imagem retirada do Google

Para te dar uma ideia, aí vai um panorama do clima português que, a esta altura você já deve estar sabendo, mas não custa revisar:
  • Quanto mais ao norte de Portugal, mais frio. 
  • Quanto mais ao sul, mais quente. 
  • Distritos na zona costeira tendem a ter pouca variação de temperatura durante o dia porque o oceano segura a humidade. 
  • Distritos mais para o interior, fronteiriços com Espanha, têm grande alternância de temperatura entre dia e noite. 
  • Beira-mar sempre venta. Mas, dependendo da região do país, venta para caraca - tipo vento frio e inconveniente. 

3. Considere o estilo de vida que deseja ter

  • Você vem para Portugal para morar ou passar férias? Se vier para férias, aqui será verão ou inverno? (Não esqueçam do ponto anterior: clima).
  • Tu vais precisar trabalhar na terrinha ou trarás rendimentos do Brasil?
Se vens para trabalhar, qual é a tua expertise? Se você é um profissional com mão de obra especializada, é provável que seja mais rapidamente absorvido (e melhor remunerado) em Lisboa ou Porto, desde que esteja com a documentação em dia e com as cerrificações validadas. Por outro lado, se você não tem especialidade alguma, qualquer supermercado, por exemplo, pode te aproveitar para serviços simples. Enfim, qual é teu "pedigree" em termos profissionais? Reflita sensatamente e avalie: se teu ofício é muito específico, perceba se as cidades menores têm demanda dele; se tua ocupação for mais genérica, é possível que você tenha mais flexibilidade na hora de escolher a cidade onde morar.
  • Você pretende viajar para fora de Portugal com frequência ou é mais caseiro?
Se viajar para fora de Portugal com alguma frequência está nos teus planos, é interessante pensar em cidades mais próximas de aeroportos. Em contrapartida, se você tem o perfil mais caseiro e só busca sossego e qualidade de vida, as opções são maiores por não estarem condicionadas a aeroportos.
  • Vem com família? De que tipo? 
Você vem sozinho ou com cônjuge? Há filhos vindo também? Crianças ou adolescentes? Quando há filhos envolvidos, ainda é preciso levar em conta se há escolas que os atendam no local em que vais morar e se há lazer adequado para suas respectivas faixas etárias. Avalie do que teus flhos gostam: video-game, shopping center, artes, esportes...? Pondere se a cidade que você está cogitando supre as necessidades das tuas crias, porque a última coisa que você vai querer é, com todas as amolações de uma mudança de país, ainda ter filho deprimido e insatisfeito em casa. 
  • Teu lifestyle é mais pacato ou dinâmico?
Quando você não está trabalhando, você curte fazer o quê? Barzinho, restaurante, pedaladas, caminhadas, happy hour, cinema, jardinagem, teatro...? Que tipo de entretenimento você aprecia? Veja bem: trabalho é trabalho, foca-se nele enquanto é hora de pôr a mão na massa. Contudo, uma hora é precisa descansar e/ou divertir-se. O que você gosta de fazer para alcançar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal? Pare e pense:

Imagine-se a trabalhar a semana inteira e, quando chegar a hora de curtir o fim de semana, não ter o que precisa para os preciosos momentos de diversão. Você acha que suporta isto por quanto tempo? O ser humano precisa de gratificação, de recompensa; como você se recompensará por ter trabalhado, por estar longe da tua família, pelos dias de frio e chuva, pelo dinheiro que ganhou...? 


Estilo de vida e cidade ajustada a ele são a chave para uma imigração satisfatória.


4. Do que é que você não abre mão? 

Viver perto da praia? Uma cidade com escola de ótima reputação? Hospital de excelência? Parques? Ciclovias? Se algo é muito importante para você, pesquise no Google onde estão os sítios que têm o que você deseja e comece a anotar. Daí, veja se este critério está de acordo com os demais e vá ponderando. É tentador que fiquemos empolgados com a grande mudança de vida decorrente de uma imigração, mas todo exagero é desnecessário nessa transição: se você mora na serra e ama o clima de montanha, reflita como se sentirá morando na beira da praia, cheia de turistas, em pleno verão, por exemplo. Se você curte um happy hour e tem uma vida dinâmica em solo verde-e-amarelo, não adianta se enfiar no interior de alguma cidade aleatória porque encontrou um imóvel com preço camarada: a chance de você detestar o contexto é enorme (ainda que o imóvel seja top). 

Aproveite essas dicas para examinar sua vida: o que te faz feliz? O que tem espaço para melhorar? Tente não vestir a camisa de que "o Brasil não presta, Portugal que vai ser bom"- esse tipo de pensamento só vai te levar à frustração. 


Observe o que você valoriza no Brasil e tente ter este mesmo ponto de apoio aqui, na Terra do Tiozão. Reflita sobre o que acalenta teus dias: a paisagem da janela, o clima da tua cidade, a tua casa confortável, tuas flores, o cheiro da maresia, morar no mato/ no meio do agito...? Aprenda a olhar para o que está dando certo agora na tua vida brasileira e faça um esforço para encontrar este pouco (ou muito!) que te faz feliz aí por aqui,  na terra de Camões. 


Espero que esse post tenha sido útil. 


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Até a próxima.

Ps: texto escrito de acordo com o corretor ortográfico de Português, variante europeia




sexta-feira, 19 de junho de 2020

Onde morar em Portugal - entre Lisboa e Coimbra| minha história

Olá, pessoal. Tudo bem?

Espero que sim. ;)

Eu já fiz um  post específico falando sobre o local onde moro: a Marinha Grande - leia aqui

O post sobre a Marinha Grande é um dos mais acessados no blog, portanto, resolvi escrever um pouco mais sobre como vim parar aqui, entre Lisboa e Coimbra, no centro do país.  

Quando eu decidi vir para Portugal, passei pelo drama de querer comprar um imóvel e não saber onde seria a melhor opção para mim. Eu nunca tinha estado em Portugal, nem meu marido. Então, começamos nosso plano de morar aqui da maneira mais acertada: vindo conhecer o país. 


Já de olho no investimento inicial (passagem, documentação com advogado, rendas adiantadas/ entrada para crédito imobiliário, airbnb etc), concluímos que viajar em família não seria possível. Assim, decidimos que apenas um de nós faria a viagem exploratória ao país e o eleito para tal foi meu marido, já que eu estava trabalhando e ele, não. 

Meu marido (Barbieri) passou 12 dias em Portugal e viajou de Setúbal à Braga (só não foi mesmo para os extremos norte e sul). Ele alugou um carro em terras lusas, dormiu em quartos compartilhados e almoçou em supermercados, fazendo uma viagem bem low-cost mesmo. Sua prioridade era conhecer Portugal sob a ótica de quem vem morar em um local - e não turistar. Já antes de sua partida, sabíamos que não poderíamos morar no Algarve, em Lisboa ou Porto por causa do motivo mais proibitivo de todos: os preços cobrados para habitação. 

Tínhamos como prioridade encontrar lugares que tivessem oferta de:

1. Escola
2. Fácil acesso à transporte público
3. Hospital
4. Parques (para caminhar com a filha de 4 patas)
5. Shopping (para caminhar com a filha "de 2 patas" hehehhe)

Dentro destas condições, meu marido concluiu que, excluindo Lisboa e Porto, Portugal era todo muito semelhante. Em qualquer cidade média, encontraríamos o que procurávamos. Reparem também, que um lugar com bastante oferta de emprego não era nossa prioridade (ainda que fosse bem vindo). 


Assim,  meu marido viajou pelo país procurando os lugares que se adequavam ao que precisávamos (escola, transporte público, hospital, parque e shopping). Pelo que ele observou, todos os lugares contavam com essas nossas exigências – o que foi excelente!

Desde sempre, sabíamos que não queríamos morar NO CENTRO de lugar nenhum porque gostamos do sossego de áreas residenciais. Gostamos de ter privacidade para estar no quintal sem que transeuntes passem pela nossa porta o dia todo. Gostamos de dormir e não ouvir carros passando pelas avenidas. Somos fã de barzinhos e boas risadas, mas não na esquina de nossa casa, entendem? Somos o tipo de família que prefere estar mais afastada do bafafá e ter acesso ao que nos interessa, quando estivermos a fim e em 15 minutos de carro, por exemplo. Nosso perfil facilitou-nos imensamente porque também combinava com o que tínhamos disponível para investir, afinal, lugares menos centrais têm preços mais amenos.

Sabíamos que encontraríamos nosso lugar de sossego em qualquer distrito de Portugal, desde que escolhêssemos estar perto de alguma capital mas não necessariamente no miolo dela. 


* Cidades mais afastadas da capital de qualquer distrito devem ser estudadas cautelosamente. Há que se analisar cada caso: o sítio que você está visando tem vida própria ou está à sombra de uma cidade maior? Qual é a distância entre uma cidade e outra? O afastamento dos grandes centros pode fazer com que cidades desenvolvam autonomia ou se tornem ainda mais defasadas, fiquem atentos. *

Vendo, portanto, que tínhamos bastante opção de escolha dentro de nossos requisitos, fomos descartando as alternativas: nada muito à norte por causa do frio; nada muito para dentro (colado à Espanha) por causa das temperaturas muito extremas (quente ou frio)... Enfim... 


Ao fim da viagem exploratória, Barbieri chegou ao Brasil com a seguinte apreciação: curtiu inúmeros locais em Portugal e moraria neles facilmente. Porém, considerando a quantidade de jovens que viu nas cidades, os acessos à universidades, nossas possibilidades financeiras e nossos gostos pessoais, concluiu que Setúbal, Leiria e Viseu seriam nossas melhores apostas. 

Moramos em Setúbal por 4 meses e depois viemos para Leiria. Só estive em Viseu uma vez, depois de já estar estabelecida cá na Marinha Grande.  Mas isso tudo é papo para outro post porque este já está enorme. 

Meu marido é consultor imobiliário na Remax. Para esclarecer dúvidas sobre o ramo imobiliário ou crédito habitação, escreva para rbarbieri@remax.pt. Clica aqui se quiser contactá-lo pelo FACEBOOK. 

Eu, Mariana, também estou no Facebook (clica aqui) e no Instagram (clica aqui também), caso queira me acompanhar de perto. 

No próximo post, farei uma lista de coisas a serem consideradas antes de escolher onde morar cá, em Portugal. Não darei respostas, mas farei perguntas cruciais que ajudarão àqueles que ainda estão engatinhando no "Projeto-Portugal". Não percam!

Um beijo e até a próxima!