sábado, 27 de junho de 2020

Portugal: como escolher a melhor cidade para morar

Olá, pessoal! Tudo bem?

Espero que sim. ;)

Eu já falei como escolhemos a zona centro para morar (leia aqui) e também tem post detalhando os motivos que me fazem amar a minha cidade (clique aqui para saber mais).


O post de hoje tem por objetivo ajudá-los a ter mais clareza do que buscam, examinando algumas questões importantes na escolha de onde viver, seja em Portugal, seja em qualquer outro canto. Vamos lá!



1. Saiba o quanto você pode gastar 

Se você tem limites financeiros, então, você terá que escolher cidades que caibam no bolso. Em Portugal, a habitação é o que mais pesa no orçamento, portanto, saber em qual sítio há imóveis mais em conta é importantíssimo. 


Porém, não se deixe levar pelo que as pessoas dizem: "Lugar X é caro. Em local Y você arrenda apartamento por 200 euros". 

Cuidado com esse tipo de informação, afinal, tudo depende. A melhor forma de saber que locais têm imóveis com preços mais justos para a sua realidade, é a seguinte:

a) Entre em sites de imobiliárias e veja o tipo de casa* que consegue pagar pelo que tem disponível no bolso. 


(*Casa em Portugal quer dizer habitação. Portanto, se você estiver procurando uma casa, de facto, selecione a opção "moradia" no filtro de buscas). 

b) Veja o que há disponível no mercado e compare os imóveis dos diferentes distritos ("estados"). Por exemplo:


Digamos que você vá comprar um imóvel e tenha 100.000 euros para investir. O que você precisará fazer, então, é entrar nos sites que indicarei adiante e verificar, em cada distrito, o que consegue comprar pelo valor que tem disponível. 


A depender do lugar onde o imóvel esteja situado, você vai ver que com os mesmos 100 000 euros do exemplo você consegue comprar algo maneiro ou porcaria.


 Aqui vão alguns sites que podem te ajudar, é só clicar neles:


2. Atente para o clima

Não negligencie um detalhe importante como este! Da mesma forma que tem muito estrangeiro de clima frio que vai curtir uma praia no verão carioca e passa altos perrengues com o nosso maçarico, você também pode estranhar a diferença climática.


Cuidado com o discurso do "adoro frio": se a sua experiência com frio é ir passar o fim de semana na serra com vinhozinho, lareira e fondue, sinto dizer, mas essa experiência deliciosa não é compatível com a realidade de meses de temperatura baixa. Você não vai andar com uma lareira dentro do casaco, nem vai almoçar foundue. Pelo menos, eu não recomendo. hehehehe

Detesto ser portadora de notícias desagradáveis, mas inverno em Portugal (norte e centro) conta com baixa temperatura, vento (daquele que uiva!) e chuva (não costuma ser torrencial - eu ouvi um amém?). Por mais sedutor que pareça, você não será uma espécie de artista estiloso usando casaco de pele no meio da chuva.

Expectativa: Elegância

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Imagem retirada do Google

Realidade: Perrengue

Imagem retirada do Google

Para te dar uma ideia, aí vai um panorama do clima português que, a esta altura você já deve estar sabendo, mas não custa revisar:
  • Quanto mais ao norte de Portugal, mais frio. 
  • Quanto mais ao sul, mais quente. 
  • Distritos na zona costeira tendem a ter pouca variação de temperatura durante o dia porque o oceano segura a humidade. 
  • Distritos mais para o interior, fronteiriços com Espanha, têm grande alternância de temperatura entre dia e noite. 
  • Beira-mar sempre venta. Mas, dependendo da região do país, venta para caraca - tipo vento frio e inconveniente. 

3. Considere o estilo de vida que deseja ter

  • Você vem para Portugal para morar ou passar férias? Se vier para férias, aqui será verão ou inverno? (Não esqueçam do ponto anterior: clima).
  • Tu vais precisar trabalhar na terrinha ou trarás rendimentos do Brasil?
Se vens para trabalhar, qual é a tua expertise? Se você é um profissional com mão de obra especializada, é provável que seja mais rapidamente absorvido (e melhor remunerado) em Lisboa ou Porto, desde que esteja com a documentação em dia e com as cerrificações validadas. Por outro lado, se você não tem especialidade alguma, qualquer supermercado, por exemplo, pode te aproveitar para serviços simples. Enfim, qual é teu "pedigree" em termos profissionais? Reflita sensatamente e avalie: se teu ofício é muito específico, perceba se as cidades menores têm demanda dele; se tua ocupação for mais genérica, é possível que você tenha mais flexibilidade na hora de escolher a cidade onde morar.
  • Você pretende viajar para fora de Portugal com frequência ou é mais caseiro?
Se viajar para fora de Portugal com alguma frequência está nos teus planos, é interessante pensar em cidades mais próximas de aeroportos. Em contrapartida, se você tem o perfil mais caseiro e só busca sossego e qualidade de vida, as opções são maiores por não estarem condicionadas a aeroportos.
  • Vem com família? De que tipo? 
Você vem sozinho ou com cônjuge? Há filhos vindo também? Crianças ou adolescentes? Quando há filhos envolvidos, ainda é preciso levar em conta se há escolas que os atendam no local em que vais morar e se há lazer adequado para suas respectivas faixas etárias. Avalie do que teus flhos gostam: video-game, shopping center, artes, esportes...? Pondere se a cidade que você está cogitando supre as necessidades das tuas crias, porque a última coisa que você vai querer é, com todas as amolações de uma mudança de país, ainda ter filho deprimido e insatisfeito em casa. 
  • Teu lifestyle é mais pacato ou dinâmico?
Quando você não está trabalhando, você curte fazer o quê? Barzinho, restaurante, pedaladas, caminhadas, happy hour, cinema, jardinagem, teatro...? Que tipo de entretenimento você aprecia? Veja bem: trabalho é trabalho, foca-se nele enquanto é hora de pôr a mão na massa. Contudo, uma hora é precisa descansar e/ou divertir-se. O que você gosta de fazer para alcançar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal? Pare e pense:

Imagine-se a trabalhar a semana inteira e, quando chegar a hora de curtir o fim de semana, não ter o que precisa para os preciosos momentos de diversão. Você acha que suporta isto por quanto tempo? O ser humano precisa de gratificação, de recompensa; como você se recompensará por ter trabalhado, por estar longe da tua família, pelos dias de frio e chuva, pelo dinheiro que ganhou...? 


Estilo de vida e cidade ajustada a ele são a chave para uma imigração satisfatória.


4. Do que é que você não abre mão? 

Viver perto da praia? Uma cidade com escola de ótima reputação? Hospital de excelência? Parques? Ciclovias? Se algo é muito importante para você, pesquise no Google onde estão os sítios que têm o que você deseja e comece a anotar. Daí, veja se este critério está de acordo com os demais e vá ponderando. É tentador que fiquemos empolgados com a grande mudança de vida decorrente de uma imigração, mas todo exagero é desnecessário nessa transição: se você mora na serra e ama o clima de montanha, reflita como se sentirá morando na beira da praia, cheia de turistas, em pleno verão, por exemplo. Se você curte um happy hour e tem uma vida dinâmica em solo verde-e-amarelo, não adianta se enfiar no interior de alguma cidade aleatória porque encontrou um imóvel com preço camarada: a chance de você detestar o contexto é enorme (ainda que o imóvel seja top). 

Aproveite essas dicas para examinar sua vida: o que te faz feliz? O que tem espaço para melhorar? Tente não vestir a camisa de que "o Brasil não presta, Portugal que vai ser bom"- esse tipo de pensamento só vai te levar à frustração. 


Observe o que você valoriza no Brasil e tente ter este mesmo ponto de apoio aqui, na Terra do Tiozão. Reflita sobre o que acalenta teus dias: a paisagem da janela, o clima da tua cidade, a tua casa confortável, tuas flores, o cheiro da maresia, morar no mato/ no meio do agito...? Aprenda a olhar para o que está dando certo agora na tua vida brasileira e faça um esforço para encontrar este pouco (ou muito!) que te faz feliz aí por aqui,  na terra de Camões. 


Espero que esse post tenha sido útil. 


Quer comprar imóvel em Portugal? Faça contato clicando aqui.

Estou no Facebook (clica aqui) e no Instagram (clica aqui também), caso queira me acompanhar de perto.

Quem você conhece que tem interesse em vir para cá? Manda essa postagem rica em reflexões para essa pessoa, ajude a ela e a mim. ;)


Obrigada por estar aqui. 



Até a próxima.

Ps: texto escrito de acordo com o corretor ortográfico de Português, variante europeia




sexta-feira, 19 de junho de 2020

Onde morar em Portugal - entre Lisboa e Coimbra| minha história

Olá, pessoal. Tudo bem?

Espero que sim. ;)

Eu já fiz um  post específico falando sobre o local onde moro: a Marinha Grande - leia aqui

O post sobre a Marinha Grande é um dos mais acessados no blog, portanto, resolvi escrever um pouco mais sobre como vim parar aqui, entre Lisboa e Coimbra, no centro do país.  

Quando eu decidi vir para Portugal, passei pelo drama de querer comprar um imóvel e não saber onde seria a melhor opção para mim. Eu nunca tinha estado em Portugal, nem meu marido. Então, começamos nosso plano de morar aqui da maneira mais acertada: vindo conhecer o país. 


Já de olho no investimento inicial (passagem, documentação com advogado, rendas adiantadas/ entrada para crédito imobiliário, airbnb etc), concluímos que viajar em família não seria possível. Assim, decidimos que apenas um de nós faria a viagem exploratória ao país e o eleito para tal foi meu marido, já que eu estava trabalhando e ele, não. 

Meu marido (Barbieri) passou 12 dias em Portugal e viajou de Setúbal à Braga (só não foi mesmo para os extremos norte e sul). Ele alugou um carro em terras lusas, dormiu em quartos compartilhados e almoçou em supermercados, fazendo uma viagem bem low-cost mesmo. Sua prioridade era conhecer Portugal sob a ótica de quem vem morar em um local - e não turistar. Já antes de sua partida, sabíamos que não poderíamos morar no Algarve, em Lisboa ou Porto por causa do motivo mais proibitivo de todos: os preços cobrados para habitação. 

Tínhamos como prioridade encontrar lugares que tivessem oferta de:

1. Escola
2. Fácil acesso à transporte público
3. Hospital
4. Parques (para caminhar com a filha de 4 patas)
5. Shopping (para caminhar com a filha "de 2 patas" hehehhe)

Dentro destas condições, meu marido concluiu que, excluindo Lisboa e Porto, Portugal era todo muito semelhante. Em qualquer cidade média, encontraríamos o que procurávamos. Reparem também, que um lugar com bastante oferta de emprego não era nossa prioridade (ainda que fosse bem vindo). 


Assim,  meu marido viajou pelo país procurando os lugares que se adequavam ao que precisávamos (escola, transporte público, hospital, parque e shopping). Pelo que ele observou, todos os lugares contavam com essas nossas exigências – o que foi excelente!

Desde sempre, sabíamos que não queríamos morar NO CENTRO de lugar nenhum porque gostamos do sossego de áreas residenciais. Gostamos de ter privacidade para estar no quintal sem que transeuntes passem pela nossa porta o dia todo. Gostamos de dormir e não ouvir carros passando pelas avenidas. Somos fã de barzinhos e boas risadas, mas não na esquina de nossa casa, entendem? Somos o tipo de família que prefere estar mais afastada do bafafá e ter acesso ao que nos interessa, quando estivermos a fim e em 15 minutos de carro, por exemplo. Nosso perfil facilitou-nos imensamente porque também combinava com o que tínhamos disponível para investir, afinal, lugares menos centrais têm preços mais amenos.

Sabíamos que encontraríamos nosso lugar de sossego em qualquer distrito de Portugal, desde que escolhêssemos estar perto de alguma capital mas não necessariamente no miolo dela. 


* Cidades mais afastadas da capital de qualquer distrito devem ser estudadas cautelosamente. Há que se analisar cada caso: o sítio que você está visando tem vida própria ou está à sombra de uma cidade maior? Qual é a distância entre uma cidade e outra? O afastamento dos grandes centros pode fazer com que cidades desenvolvam autonomia ou se tornem ainda mais defasadas, fiquem atentos. *

Vendo, portanto, que tínhamos bastante opção de escolha dentro de nossos requisitos, fomos descartando as alternativas: nada muito à norte por causa do frio; nada muito para dentro (colado à Espanha) por causa das temperaturas muito extremas (quente ou frio)... Enfim... 


Ao fim da viagem exploratória, Barbieri chegou ao Brasil com a seguinte apreciação: curtiu inúmeros locais em Portugal e moraria neles facilmente. Porém, considerando a quantidade de jovens que viu nas cidades, os acessos à universidades, nossas possibilidades financeiras e nossos gostos pessoais, concluiu que Setúbal, Leiria e Viseu seriam nossas melhores apostas. 

Moramos em Setúbal por 4 meses e depois viemos para Leiria. Só estive em Viseu uma vez, depois de já estar estabelecida cá na Marinha Grande.  Mas isso tudo é papo para outro post porque este já está enorme. 

Meu marido é consultor imobiliário na Remax. Para esclarecer dúvidas sobre o ramo imobiliário ou crédito habitação, escreva para rbarbieri@remax.pt. Clica aqui se quiser contactá-lo pelo FACEBOOK. 

Eu, Mariana, também estou no Facebook (clica aqui) e no Instagram (clica aqui também), caso queira me acompanhar de perto. 

No próximo post, farei uma lista de coisas a serem consideradas antes de escolher onde morar cá, em Portugal. Não darei respostas, mas farei perguntas cruciais que ajudarão àqueles que ainda estão engatinhando no "Projeto-Portugal". Não percam!

Um beijo e até a próxima!