sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Quero morar em Lisboa! - Quer mesmo?

 Olá, pessoal. Tudo bem?

Espero que sim. :)

Como vocês já devem saber, estou no ramo imobiliário há pouco mais de 1 ano. O fato de estar no ramo há um tempo considerável e de já ter falado com inúmeras pessoas, dentre elas, muitos brasileiros, fez-me perceber que, eventualmente, os clientes que não conhecem Portugal têm algumas "cismas" e acabam por reduzir desnecessariamente seu campo de busca na hora de escolher onde morar. 

Assim, gostaria de propor uma reflexão para você, que "cismou" com Lisboa e arredores:

Então você quer ir para Lisboa?

Imagem retirada do Pinterest - (quero essa fofura oriental para mim) 

É claro e evidente que não vou diminuir Lisboa - a capital de Portugal, a magnânima, salve-salve, onde tudo acontece, onde o clima é quente, a cidade é cosmopolita, onde há de um tudo. Olhando por esta perspectiva, quem não quer ir morar em um lugar destes? Diversas oportunidades de trabalhos, melhores salários, mais opções de lazer, aeroporto local, boa malha de transportes ferroviários... Todos estes pontos fazem Lisboa ser o que é. 

No entanto, o que eu percebo é que, muitas vezes, as pessoas dizem o que desejam sem ter clareza do que precisam ou do que, de fato, representa as suas vontades genuínas. 

Vou explicar.

Quase todo mundo responderia DEZ! caso fosse questionado, em uma escala de 0 a 10, quanto gostaria de ter felicidade. Não imagino ninguém dizendo que gostaria de ser feliz no nivel 7, por exemplo. O mesmo para riqueza. Você visualiza alguém dizendo "ah, quero ser rico nivel 5". Sempre queremos o que há de melhor, de mais desejável. O que acontece é que, por muitas vezes, observo que este "melhor" é socialmente construído, mas não necessariamente combina exatamente com o que você deseja de verdade. Todo mundo gostaria de passear mais, de ir a pé ao teatro e de frequentar o aeroporto frequentemente. Contudo, na prática, encontro pessoas que nunca foram ao teatro antes, que dormem cedo e não saem à noite. Há outras que, até gostam de viajar, "mas bom mesmo é chegar à casa". 

Já entenderam onde quero chegar?

Lisboa é muito completa, óbvio! Porém, tenha em mente que isto traz ônus: 

  • os imóveis são mais caros;
  • os serviços são até mais variados, mas, também podem ser menos exclusivos (afinal, você é só mais um cliente no meio de tantos outros);
  • há maiores ofertas de trabalho, mas a competitividade também é mais acirrada; 
  • os salários são mais altos mas o custo de vida também é;

Ou seja, Lisboa é ótima mas nem todo mundo está realmente disposto a encarar seus ônus se os bônus não falarem diretamente ao coração.

Falo por mim, na esperança de verbalizar um sentimento comum à mais pessoas:

Ir ao teatro assistir orquestras e balés parece-me sensacional. 

Frequentar eventos abertos e gratuitos à noite seria ótimo para tirar a poeira da minha vida social. 

Rodar Portugal usando e abusando da malha ferroviária seria TOP.

Entretanto, a minha realidade é que nem sempre estou com capital para investir em cultura; sair, à noite, para locais abarrotados deixa-me desconfortável e eu morro de preguiça só de pensar em me arrumar para chegar tarde e ter que tirar a produção toda #tragoverdades. Para ser honesta, eu quase nem viajo por causa da minha cadela (substitua pelo que eventualmente te prende ao fim de semana: filhos, netos, dinheiro, pets, pais idosos, trabalho etc). 

As facilidades que Lisboa poderia me oferecer abundantemente não são aproveitadas com a mesma intensidade porque, no fim das contas, meu estilo de vida não tira vantagem do estilo de Lisboa. É como pagar por um Iphone 11 e só usá-lo para ver a hora. Você daria um celular de última geração, com todos os recursos possíveis, só para a sua avozinha de 95 anos ligar para você aos domingos? 

Lisboa seria o Iphone e eu seria a avozinha de 95 aninhos... hehehehe 

É too much, maravilhoso, mas eu não preciso de toda essa potência. 

Não adianta querer morar ao lado do Aeroporto para viajar 3x ao ano - quando muito. Se você gasta mais tempo em casa, ou explorando o interior de Portugal, por que Lisboa? Lembrando que ainda há outros distritos com aeroporto também...

Se você é o tipo de pessoa que, quando gosta de um restaurante vira freguês e, se calhar, senta até na mesma mesa, não faz sentido pagar mais para viver em uma cidade que te oferece 300 opções de restaurante, já que você vai acabar indo no favorito mesmo. #eutodinha

Se você gosta de praticar esporte de manhã cedinho (tem cura para você no altar! kkkk), é provável que você nem seja essencialmente baladeiro, pronto para passar a noite na rua. Então, para que insistir em viver em uma cidade que não dorme, quando às 22h da noite você está escovando o dente para ir deitar? 

Sendo assim, quando eu digo que todo mundo deseja mais diversão, opção de lazer, serviços e empregos é mais do que compreensível. Socialmente, aprendemos que ter tudo isso é muito bom - e é! - desde que você usufrua disto. 

Minha grande questão é que nem todos precisam destas coisas de verdade porque elas não representam a vontade genuína do seu eu, que pode ser mais caseiro, introvertido, metódico, paradão, diurno, praieiro, noturno etc. 

Pense no que te faz feliz e execute seu projeto de vida de acordo com isso. Se você gosta de pescar, procure o lugar onde possa fazer isso com frequência. Se a tua onda é jogar video game, qualquer lugar com boa internet vai estar valendo. 

Não escolha um lugar pelo glamour, ainda que você possa pagar por ele. Reflita se os eventos que você prevê frequentar farão parte de sua vida esporadica ou rotineiramente. 

Por fim, você deve estar pensando: mas eu posso ir para as cidades vizinhas, nomeadamente, Torres Vedras, Mafra (que, ao que parece, estão com boa reputação entre os brasileiros) etc. 

Sim, você pode. 

Mas, novamente, deixo aqui a pergunta: o que estas cidades realmente têm que tanto te agradam? Qual é o diferencial delas? Se você souber responder a esta pergunta, ótimo. Vá em frente, sinal de que você conhece a si mesmo, sabe o que valoriza e já encontrou o que procura.

BEBÊ JAPINHA || LOMOTIF || FIGURINHA DO WHATASPP || BEBÊ COREANA ... 

Imagem retirada do Google

Porééééém, se você está pensando em ir para estas cidades só pela proximidade de Lisboa e imóveis com preços menos acentuados, decida se essa proximidade à capital é mesmo tão importante. Aposto que você encontra cidades tão interessantes quanto estas (e não menos "modernas"), com imóveis a preços bem mais convidativos (o que te habilita a comprar uma habitação de melhor qualidade e conforto), em outras zonas do país. 

Já disse muitas vezes, gosto da zona Centro do país - que ainda não é tão visada quanto estas cidades que circundam Lisboa, nem como Braga (norte) e Setúbal (sul). 

A zona Centro é pacata, é um "Portugal raiz". Há teatros e eventos a céu aberto também (sempre que posso, vou). O fato de os eventos serem em escalas menores, apetecem-me de ir, de participar. Sinto-me segura e integrada na comunidade. Adoro esse senso de pertencimento, de encontrar colegas de trabalho, pessoas que me prestam ou para quem presto serviços e vizinhos nos eventos! É bonito ver todo mundo junto. É gostoso pensar que também há paz e integração no mundo. 

Mas, claro, o Bon Jovi não virá fazer show aqui na Marinha Grande. <ponto final> 

No entanto, caso a banda venha à Lisboa, eu posso me organizar e fazer um bate-e-volta (afinal, estou a pouco menos de 1h:30min de lá).  Ou ainda posso ir até a capital e dormir por lá, afinal, a cidade está sempre pronta a receber pessoas de fora. 

Pessoalmente, gosto do sossego da minha vidinha. E, quando quero um agito, prefiro deslocar-me até ele do que tê-lo à minha porta ou em minha cidade. 

Ainda há muito o que explorar nesta temática, mas esse post já deve ter dado material para você confirmar, ou duvidar, se quer mesmo ir para Lisgood. ;)

Meu marido é consultor imobiliário e sou sua assistente. Contacte-nos pelo e-mail rbarbieri@remax.pt e esclareça suas dúvidas sobre habitação e crédito-habitação. Ajudamos-te a comprar teu imóvel em Portugal e a conseguir crédito para tal. Faça contato! Faça perguntas! Tome iniciativas!

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Até a próxima. 

domingo, 9 de agosto de 2020

Saúde pública em Portugal: internação| nossa experiência


Olá, pessoal! Tudo bem?

Espero que sim. ;)

Hoje vim trazer a parte II de nossa experiência no Hospital Santo André, em Leiria. Se você perdeu a parte I, ou seja, nossa experiência até o momento de internação, é só clicar aqui

No post de hoje, vou relatar os pormenores de como foi o dia a dia no hospital, durante a internação de meu marido. Acredito fortemente que, ao fim do post, você sentirá um quentinho no coração. rs

Após nossa experiência no hospital de Leiria, passei a estar descansada quanto à saúde pública no distrito e concelho onde estou. Vamos bisbilhotar o que rolou por lá? Siga a leitura.

1.  Sobre a infraestrutura: hospital grande, claro, limpo, amplo, cuidado. Não havia nada degradado, destruído ou que te fizesse sentir ainda pior. Como a minha última experiência de saúde no Brasil foi no hospital público (para entender, vá no post anterior clicando aqui), eu temia, do fundo do meu coração, ir para o hospital em Leiria e reviver a angústia que eu conhecera. Pensem em uma pessoa apavorada em lidar com um hospital sem estrutura e temerosa em ser discriminada pela nacionalidade. Nada disso aconteceu e fiquei aliviada e agradecida. Primeiramente, o hospital era muito melhor do que eu imaginara, em termos de infraestrutura, e, segundamente, muitos profissionais de saúde até puxavam conversa conosco por sermos brasileiros, falando que tinham família no Brasil, que achavam o país muito bonito, que gostariam de conhecer... Enfim... Fofos. 

2. Além da infraestrutura, a limpeza e higiene eram notórias não só onde o público vê, mas também nas partes menos visitadas, nomeadamente, no quarto dos pacientes. Durante o período em que Barbieri esteve internado, os quartos eram limpos e as camas eram higienizadas com álcool todos os dias , normalmente, na hora do banho dos utentes. Já no segundo dia de internação, uma das técnicas passou nos quartos pedindo a roupa suja dos pacientes. Meu marido disse a ela que a dele estava limpa, pois havia recebido a roupa no dia anterior, já à noite, mal tinha 12h com o pijama. A senhora então lhe respondeu que eles precisavam trocar a roupa diariamente - e, assim, ele recebia seu kit de roupas limpas e passadas. Higiene. Cuidado. Respeito. O certo, né, gente? 

3. Assim que Barbieri foi internado,  foi-lhe feito um questionário para saber que remédios ele usava continuamente. Na época, ele estava a tomar medicamento para queda de cabelo e para o colesterol. Barbieri pensou que esse questionário era apenas para que o hospital tivesse ciência de possíveis interações medicamentosas - e até podia ser isso mesmo. Mas, o que o surpreendeu, é que, já no segundo dia internado, a equipe do hospital providenciou os medicamentos que ele havia mencionado (um deles nem eram tão importante) e os fornecia diariamente, com seu nome e na dosagem correta para o dia. 

4. A equipe de enfermagem foi toda muito atenciosa e humana! Houve um momento, enquanto estávamos na sala de espera, que uma senhorinha estava passando mal - não me lembro do que. A técnica de enfermagem deu-lhe atenção, carinho e cuidado: "Vou colocar a senhora sentadinha aqui. Quer um chazinho? Eu vou buscar. Com açúcar?". Sim, os portugueses gostam de ajudar, são amistosos e carinhosos - quem não é assim, é minoria. (Isso aconteceu antes da internação, mas entra na minha categoria pessoal de "quentinho no coração", então fica nesta postagem hehehhheh). 

5. Voltando ao dia a dia hospitalar, Barbieri ficou em um quarto compartilhado com 3 leitos. O banheiro ficava fora do quarto, mas, pelo que vi na ala em que ficou (cirugia), a cada 2 quartos, havia um banheiro. Banheiro este com água quente, shampoo e gel de banho coletivos e toalhas que deviam ser postas em um cesto próprio para toalhas e roupas usadas. 

6. Comida: Barbieri comeu poucos dias no hospital por causa da diverticulite (lembram que ele estava em dieta zero? Então!). Porém, observando a comida de seus colegas de quarto, afirmava que a comida estava muito bem apresentada, bonita mesmo. Teve bacalhau, peixe, carne de porco... Um luxo! hehehehe Mas, depois que começou a alimentar-se, ele e seus colegas de quarto eram unânimes: a comida era mesmo bonita, mas não tinha gosto de nada, nem textura familiar. Uma ilusão. rsrs Que pena. 

7. Barbieri, acostumado com o hospital dos bombeiros, surpreendeu-se com seu leito: cama toda elétrica e com controle remoto para o paciente poder variar as posições. Pois é. Isso em um hospital público! Que bacana, né? 

Agora, vou compartilhar um evento divertido:

Quando foi decidido que Barbieri seria internado, ele precisava colocar a roupa do hospital para ir ao quarto. Como foi tudo meio que arranjado na hora, não tinha a camisa ideal para o tamanho dele e a que lhe arranjaram, estava sem um botãozinho. Barbieri pensou em subir para a ala da cirurgia, onde estaria internado, e então trocar de roupa no wc próximo ao quarto. No entanto, a técnica pediu a ele que já subisse pronto, com a roupa que lhe fora dada. 

Missão dada, missão cumprida, né, minha gente? 

Eis que ele troca de roupa na casa de banho da sala de espera e então desfila, todo sem graça 😂 pelo hospital afora, seu look internação: um modelito todo estampado, com o logo do hospital e sua barriguinha sexy de fora por causa do tamanho da roupa inadequado e da falta de botão na camisa. Nos pés, os tênis com que tinha vindo ao hospital. Uma combinação digna da Fashion week de Paris. heheheheh 

Ele estava passando bem mal, mas, a essa altura do campeonato, estava tão grato pelo atendimento, pelo cuidado e pela experiência positiva junto à equipe Santo André, que, apesar de sua timidez,  chegou a divertir-se com a situação. Tá aí o look dele, pijaminha combinando com a roupa de cama e a carinha de alívio por estar sendo cuidado e bem atendido:


Brincadeiras à parte, achei bem legal ter roupa de cama, de banho e de dormir oferecidos pelo hospital público. 


A cereja do bolo: é agora



Lembram que eu disse que ele foi internado na véspera de Natal?

Ótimo. 

No dia seguinte, um grupo de profissionais e voluntários fantasiados de Papai/ Mamãe Noel e duendes passaram pelos corredores do hospital, desejando aos internados um Feliz Natal e distribuindo presentes. (Seu coração já derreteu?)

Barbieri ganhou uma manta (presentinho útil!) e uma caixa de bombons. Como ele ainda estava na tal dieta zero, agradeceu o presente e o recusou, explicando que não podia comê-los. Mas os voluntários disseram-lhe que ficasse com os bombons, que os desse à família. 

Generosidade. Amor. Caridade. Olhar os que estão enfermos. Doação de tempo - em pleno 25/12. Salve, Jesus!! Eu me empolgo, galera!! 

Barbieri gravou um videozinho do pessoal passando pelos corredores. Tenho vontade de abraçar a todas essas pessoas. Vejam:


Ainda sobre os voluntários, Barbieri disse que houve um dia em que passaram pelo seu quarto perguntando quem gostaria de fazer a barba, cortar os cabelos, ir à missa... Bonito de ver. Eu ainda vou participar de uma ação por lá. Quero retribuir esse derramar de amor e boa vontade que meu marido viveu, internado, em seu primeiro Natal em Portugal. 

Por fim, quero dizer que nossa experiência no hospital de Leiria foi ótima. Infinitamente melhor que o hospital público de Nova Friburgo (minha referência) e melhor que o dos bombeiros, em termos de infraestrutura. Talvez o Hospital daqui seja um pouco menos "chique" que o da UNIMED de Friburgo. Os protocolos de atendimento certamente são diferentes, mas curaram a infecção na mesma. Não vi ninguém deitado na maca em corredores. Aliás, vi, sim: uma senhora que havia recebido alta e queria ir embora mas a equipe estava mantendo-a ali, para aguardar quem viesse buscá-la. Há uns velhinhos muito levados por aqui. rs

Qual é o valor das taxas do hospital? Isso tudo varia, de acordo com o procedimento, escalão etc. O melhor a ser feito é verificar este link cujo site é oficial para terem uma ideia:



O post foi longo, mas espero ter descrito o que passamos por lá para que brasileiros interessados em Leiria tenham uma ideia do que esperar. E, espero, acima de tudo, que bem haja a todos os profissionais de saúde que trabalham com a mesma boa vontade do staff que nos atendeu. Deus abençoe vocês. Obrigada, do fundo do meu coração.


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Até o próximo post!