sexta-feira, 31 de julho de 2020

Saúde Pública em Portugal | nossa experiência


Olá, pessoal! Tudo bem?

Espero que sim. ;)

O texto de hoje servirá para registrar nossa experiência com o Hospital Santo André, no distrito e concelho de Leiria.

Quando estávamos nos organizando para vir para Portugal, senti uma certa carência de pessoas falando sobre tal hospital. Pelo que lia no jornal, inclusive, a coisa não andava nada boa. Então, sabendo que ainda há muita gente que gosta de ler e está "pescando" o máximo de informações para saber onde morar cá, venho relatar como foi o atendimento neste hospital. 

Em primeiro lugar, preciso situar vocês sobre qual era a minha referência, em termos de hospital brasileiro.

√ Já tive plano de saúde Bradesco, era top. Ao longo da vida, fui tendo downgrades (as empresas cada vez mais paravam de ter convênios com planos renomados) e o último plano de saúde que tive era um da UNIMED, regional,  com coparticipação. Portanto, eu usava o hospital da rede e fazia exames no laboratório Sérgio Franco, salvo engano.
√ Meu marido usava o hospital do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, no Rio Comprido. Quem já esteve lá, sabe: médicos de altíssima qualidade, equipamentos e serviços funcionando honestamente (pelo menos até 2018, apesar da crise estadual na época do Pezão). Sou grata e tenho muito orgulho da equipe milagrosa operante no Hospital dos Bombeiros, mas, é óbvio que este não oferece o mesmo conforto de um hospital privado de reputação.
√ Por fim,  já tive o dissabor de ter Barbieri (marido) passando mal e ter que ir ao hospital público Raul Sertã, em Nova Friburgo. Novamente, os profissionais foram bons, dentro do que podiam fazer, mas, sinceramente, a experiência por lá foi deprimente: para dizer o mínimo, o hospital estava em obras, as paredes não viam pintura há tempos, promovendo um aspecto de sujeira. Ademais, a higiene do local no dia em que lá estive, estava um tanto duvidosa – meu marido foi atendido em uma mesa suja de sangue pelo paciente anterior que havia cortado a perna. 

Sei que detalhar tudo isso deixa o post maior, no entanto, imagino ser importante compartilhar minhas referências de saúde anteriores à Portugal, para que vocês entendam um pouco meu lugar de fala.  Na minha opinião, é crucial ter ideia de “quem escreve o quê / para quem”.

Enfim, tenho essas 3 referências hospitalares no Brasil – não presenciei nenhum terrorismo sensacionalista televisivo quando lá estive, mas também não venho do time de quem pode arcar com luxuosos quartos particulares de hospitais que parecem hotéis. 

Vamos, agora, à experiência com o Hospital Público Santo André, em Leiria:

Tudo começou quando meu marido começou a ter dores abdominais. Como ele já teve crise de diverticulite outras vezes, ficamos atentos sabendo que poderia ser um novo episódio. Assim, após o terceiro dia com dor, fomos ao posto de saúde da Marinha Grande, local onde residimos (se quiser conhecer mais desta cidade, clica aqui). 

É importante dizer que o posto de saúde serve não só para consultas médicas mas, também, para pronto atendimento. Assim, encaminhamo-nos ao posto mas a senhora que nos atendeu, sugeriu que fossemos diretamente ao hospital, para que os exames adequados pudessem ser feitos, haja vista o relatado histórico de crises diverticulares e o tempo que já estava com dores. 

Gravem este detalhe importante: a encrenca toda aconteceu no dia 24/12/2019, nosso primeiro Natal em Portugal. 

Sem opção, partimos para o hospital de Leiria que  fica a uns 20 minutos de nossa casa, fator este que também foi importante no momento de decidir para onde viria, conforme escrevi em outro post (clique aqui para saber mais). 


Após ginásio, hospital de Leiria pede sugestões aos trabalhadores
Foto retirada do Google

Logo assim que chegamos, fomos encaminhados para a triagem cujo atendimento foi muito rápido. Não consigo precisar o tempo, mas, talvez tenha levado até menos de 10 minutos para ser chamado. Francamente, não havia muitas pessoas por lá também, em plena véspera de Natal, mas o hospital também não estava às moscas, afinal, acidentes acontecem.  Assim que Barbieri passou pela triagem, a pulseira de prioridade foi-lhe atribuída, como é a praxe. Ele estava de pulseira amarela. 

Passados uns 30/40 minutos (já não me lembro muito bem), ele foi atendido. O atendimento foi bem tradicional: a doutora o deitou na maca, apalpou-o e tudo mais. Nada daquela ideia de que médico “nem olha para o paciente”.   Como ele não estava com febre, mas informou à médica que já precisou ficar internado antes sem ter tido tal sintoma, a médica solicitou exame de sangue, urina e ultrassom.

Assim que o exame de ultrassom saiu, a doutora viu que seus divertículos estavam inflamados e aguardou o resultado das demais análises para conjugar tudo e detectar o grau de inflamação a enfrentar. 

Verdade seja dita, o resultado demorou muito para sair. Acho que ficamos umas 4 horas só esperando por ele. 

Quando os demais resultados ficaram prontos, a médica afirmou que ele estava com uma infecção relativamente alta e, que, apesar de estar ciente da época pouco conveniente para internações, seria mais prudente que Barbieri ficasse no hospital para entrar no soro (ele teria de fazer dieta zero, nem água poderia beber!) e tomar antibióticos. 

Assim, a médica que estava a acompanhar o caso do marido, conseguiu arranjar internação para ele, que ficou na ala de cirurgia. Desconfiamos, inclusive, que este tenha sido, também, o motivo da demora para o resultado dos exames: quando a doutora falou conosco, a internação já estava adiantada, sabíamos que seria possível, Graças a Deus!!

Então, Barbieri ficou no Hospital Santo André pelos próximos 7 dias, tomando medicação e sendo visitado pelo médico não diariamente, mas à medida que dava tempo das medições fazerem efeito. Consoante sua recuperação, ele ia fazendo novos exames e avançando com a reintrodução alimentar, até voltar a comer comida sólida e os exames acusarem normalidade.

Antes desse episódio, eu estava apavorada com o hospital de Leiria cujas notícias nos jornais portugueses não eram nada animadoras.

Porém, tendo passado pelo tempo de espera da UNIMED, familiarizada com as instalações do Hospital do Corpo de Bombeiros e enfrentado um dia no Raul Sertã, tiramos tudo de letra. Heheheh

Destaco como pontos positivos:
√ cuidado médico, sem precipitação de despachar o paciente, ignorando o quadro como um todo. Não vamos esquecer que era véspera de Natal!
√ prudência e sensibilidade. Até hoje, EU, MARIANA, não sei qual era gravidade da infecção do Barbieri. Pode ter sido gravíssima, para que a internação fosse recomendada, mas a doutora falou-me que se tratava de prudência. Caso a situação fosse mesmo ruim, ela teve o tato para passar a notícia de forma a não me apavorar – e a verdade é que eu estava mesmo muito aflita.


Pontos negativos:

Sinceramente? Não vi nada de anormal. Mesmo em hospitais particulares já esperei muito por atendimentos, então, acho que nesse quesito, não há nada espantoso. Penso que gastamos quase 8h no hospital - da entrada no balcão, até despedir-me do Barbieri, já sentadinho na cama da enfermaria, internado. 

O que estranhei

Portugal é menos melindroso/ dramático com pacientes. Vou explicar melhor, não desista do texto agora! Rsrs

Passamos o dia no hospital (sentados, felizmente!), aguardando o resultado dos exames e da possibilidade de internação; observamos muitas pessoas passarem por lá e o que vimos foi:

√ uma jovem, sem constrangimento, sentada no meio de todo mundo, vomitando em seu saquinho plástico.  Claro que a última coisa que uma pessoa passando mal vai ter é constrangimento. Mas, imagino que em um hospital particular brasileiro, a pessoa talvez tivesse algum tipo de pudor e tentasse ir para um local mais reservado. Como essa moça estava vomitando tanto (dava muito dó, a coitada já estava ficando verde!), foi-lhe dado um saco para expelir e -  boa sorte.  A jovem também aguardava exames e estava sem maca, sala de repouso ou remédio (não que eu tenha visto) até então; ela permanecia apenas sentada, vomitando, passando super mal e esperando seu diagnóstico, junto aos demais.

√ uma senhorinha fofa chamada Dona Angélica, que estava com uma hemorragia bizarra e não parava de sangrar pelo nariz. Dona Angélica estava ótima, batendo o maior papo, esperta, animada, simpática e sorridente. Mas estava com o nariz sangrando (e não era pouco!). Assim, ela mantinha um saco plástico em seu colo, limpava o nariz ensanguentado e jogava o papel no saco que já estava cheio pela metade. Confesso que eu estava meio zonza por não lidar muito bem com sangue e dona Angélica estava ali, do nosso lado, com todo aquela hemorragia que ela secava como se estivesse assoando o nariz. Eu, acostumada com hospital particular, estranhei permanecer ali, perto de pessoas realmente doentes, sangrando e vomitando, ao meu lado. Perdoem se eu lhes parecer “patricinha” ou sei lá o quê, mas nunca estive em um hospital com fluidos alheios ao meu lado por horas na sala de espera, como se fosse super natural.  

No dia em que estive no hospital público brasileiro, calhou de um senhor ter serrado a perna em um acidente de trabalho e ele ficar ali, sangrando perto das pessoas enquanto aguardava atendimento. Então, como já disse antes, se gente virando do avesso ao seu lado, no hospital,  parece-te normal ou não, vai depender do acesso à saúde ao qual você está acostumado. Para mim, foi desconfortável porque não fazia parte da minha realidade anterior.

Esse foi um ponto que estranhei, embora, pensando bem, seja perfeitamente normal - só gente que passa mal é que vai ao hospital, né? Se a pessoa estivesse sadia, iria ao parque! 

Na próxima postagem, falarei sobre como foi estar internado lá, segundo Barbieri, dando detalhes maiores da infra-estrutura e da dinâmica do hospital. Como esse relato já está extenso, paro por aqui, tendo descrito como foi o processo até o comunicado de que ele teria que ficar lá por mais tempo.


Não perca o fim desta aventura (clique aqui para ler mais), ela te fará sorrir, tenho certeza!

Quer comprar imóvel em Portugal? Faça contato clicando aqui.


Estou no Facebook (clica aqui) e no Instagram (clica aqui também), caso queira me acompanhar de perto.

Quem você conhece que tem interesse em vir para cá? Manda essa postagem rica em detalhes para essa pessoa, ajude a ela e a mim. ;)

Obrigada por estar aqui. 

Até a próxima. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário