Olá, pessoal! Tudo bem?
Espero que sim. ;)
O texto de hoje servirá para registrar
nossa experiência com o Hospital Santo André, no distrito e concelho de Leiria.
Quando estávamos nos organizando para vir
para Portugal, senti uma certa carência de pessoas falando sobre tal hospital.
Pelo que lia no jornal, inclusive, a coisa não andava nada boa. Então, sabendo
que ainda há muita gente que gosta de ler e está "pescando" o máximo
de informações para saber onde morar cá, venho relatar como foi o atendimento
neste hospital.
Em primeiro lugar, preciso situar vocês
sobre qual era a minha referência, em termos de hospital brasileiro.
√ Já tive plano de saúde Bradesco, era top.
Ao longo da vida, fui tendo downgrades (as empresas cada vez mais paravam de
ter convênios com planos renomados) e o último plano de saúde que tive era um
da UNIMED, regional, com coparticipação. Portanto, eu usava o hospital da
rede e fazia exames no laboratório Sérgio Franco, salvo engano.
√ Meu marido usava o hospital do Corpo de
Bombeiros do Rio de Janeiro, no Rio Comprido. Quem já esteve lá, sabe: médicos
de altíssima qualidade, equipamentos e serviços funcionando honestamente (pelo
menos até 2018, apesar da crise estadual na época do Pezão). Sou grata e tenho
muito orgulho da equipe milagrosa operante no Hospital dos Bombeiros, mas, é
óbvio que este não oferece o mesmo conforto de um hospital privado de
reputação.
√ Por fim, já tive o dissabor de ter
Barbieri (marido) passando mal e ter que ir ao hospital público Raul Sertã, em
Nova Friburgo. Novamente, os profissionais foram bons, dentro do que podiam
fazer, mas, sinceramente, a experiência por lá foi deprimente: para dizer o
mínimo, o hospital estava em obras, as paredes não viam pintura há tempos,
promovendo um aspecto de sujeira. Ademais, a higiene do local no dia em que lá
estive, estava um tanto duvidosa – meu marido foi atendido em uma mesa suja de
sangue pelo paciente anterior que havia cortado a perna.
Sei que detalhar tudo isso deixa o post
maior, no entanto, imagino ser importante compartilhar minhas referências de
saúde anteriores à Portugal, para que vocês entendam um pouco meu lugar de
fala. Na minha opinião, é crucial ter ideia de “quem escreve o quê / para
quem”.
Enfim, tenho essas 3 referências
hospitalares no Brasil – não presenciei nenhum terrorismo sensacionalista televisivo
quando lá estive, mas também não venho do time de quem pode arcar com luxuosos
quartos particulares de hospitais que parecem hotéis.
Vamos, agora, à experiência com o Hospital
Público Santo André, em Leiria:
Tudo começou quando meu marido começou a
ter dores abdominais. Como ele já teve crise de diverticulite outras vezes, ficamos
atentos sabendo que poderia ser um novo episódio. Assim, após o terceiro dia
com dor, fomos ao posto de saúde da Marinha Grande, local onde residimos (se
quiser conhecer mais desta cidade, clica aqui).
É importante dizer que o posto de saúde
serve não só para consultas médicas mas, também, para pronto atendimento. Assim,
encaminhamo-nos ao posto mas a senhora que nos atendeu, sugeriu que fossemos
diretamente ao hospital, para que os exames adequados pudessem ser feitos, haja
vista o relatado histórico de crises diverticulares e o tempo que já estava com
dores.
Gravem este detalhe importante: a encrenca
toda aconteceu no dia 24/12/2019, nosso primeiro Natal em Portugal.
Sem opção, partimos para o hospital de
Leiria que fica a uns 20 minutos de nossa
casa, fator este que também foi importante no momento de decidir para onde
viria, conforme escrevi em outro post (clique aqui para saber mais).
![]() |
| Foto retirada do Google |
Assim que o exame de ultrassom saiu, a
doutora viu que seus divertículos estavam inflamados e aguardou o resultado das
demais análises para conjugar tudo e detectar o grau de inflamação a enfrentar.
Verdade seja dita, o resultado demorou
muito para sair. Acho que ficamos umas 4 horas só esperando por ele.
Quando os demais resultados ficaram prontos, a
médica afirmou que ele estava com uma infecção relativamente alta e, que,
apesar de estar ciente da época pouco conveniente para internações, seria mais
prudente que Barbieri ficasse no hospital para entrar no soro (ele teria de
fazer dieta zero, nem água poderia beber!) e tomar antibióticos.
Assim, a médica que estava a acompanhar o
caso do marido, conseguiu arranjar internação para ele, que ficou na ala de
cirurgia. Desconfiamos, inclusive, que este tenha sido, também, o motivo da
demora para o resultado dos exames: quando a doutora falou conosco, a
internação já estava adiantada, sabíamos que seria possível, Graças a Deus!!
Então, Barbieri ficou no Hospital Santo
André pelos próximos 7 dias, tomando medicação e sendo visitado pelo médico não
diariamente, mas à medida que dava tempo das medições fazerem efeito. Consoante
sua recuperação, ele ia fazendo novos exames e avançando com a reintrodução
alimentar, até voltar a comer comida sólida e os exames acusarem normalidade.
Antes desse episódio, eu estava apavorada com
o hospital de Leiria cujas notícias nos jornais portugueses não eram nada
animadoras.
Porém, tendo passado pelo tempo de espera
da UNIMED, familiarizada com as instalações do Hospital do Corpo de Bombeiros e
enfrentado um dia no Raul Sertã, tiramos tudo de letra. Heheheh
Destaco como pontos positivos:
√ cuidado médico, sem precipitação de
despachar o paciente, ignorando o quadro como um todo. Não vamos esquecer que
era véspera de Natal!
√ prudência e sensibilidade. Até hoje, EU,
MARIANA, não sei qual era gravidade da infecção do Barbieri. Pode ter sido
gravíssima, para que a internação fosse recomendada, mas a doutora falou-me que
se tratava de prudência. Caso a situação fosse mesmo ruim, ela teve o tato para
passar a notícia de forma a não me apavorar – e a verdade é que eu estava mesmo
muito aflita.
Pontos negativos:
Sinceramente? Não vi nada de anormal.
Mesmo em hospitais particulares já esperei muito por atendimentos, então, acho
que nesse quesito, não há nada espantoso. Penso que gastamos quase 8h no
hospital - da entrada no balcão, até despedir-me do Barbieri, já sentadinho na
cama da enfermaria, internado.
O que estranhei?
Portugal é menos melindroso/ dramático com
pacientes. Vou explicar melhor, não desista do texto agora! Rsrs
Passamos o dia no hospital (sentados,
felizmente!), aguardando o resultado dos exames e da possibilidade de
internação; observamos muitas pessoas passarem por lá e o que vimos foi:
√ uma jovem, sem constrangimento, sentada
no meio de todo mundo, vomitando em seu saquinho plástico. Claro que a
última coisa que uma pessoa passando mal vai ter é constrangimento. Mas,
imagino que em um hospital particular brasileiro, a pessoa talvez tivesse algum
tipo de pudor e tentasse ir para um local mais reservado.
Como essa moça estava vomitando tanto (dava muito dó, a coitada já estava ficando
verde!), foi-lhe dado um saco para expelir e - boa sorte. A jovem também aguardava exames e
estava sem maca, sala de repouso ou remédio (não que eu tenha visto) até então;
ela permanecia apenas sentada, vomitando, passando super mal e esperando seu diagnóstico, junto aos
demais.
√ uma senhorinha fofa chamada Dona
Angélica, que estava com uma hemorragia bizarra e não parava de sangrar pelo
nariz. Dona Angélica estava ótima, batendo o maior papo, esperta, animada,
simpática e sorridente. Mas estava com o nariz sangrando (e não
era pouco!). Assim, ela mantinha um saco plástico em seu colo, limpava o nariz ensanguentado
e jogava o papel no saco que já estava cheio pela metade. Confesso que eu
estava meio zonza por não lidar muito bem com sangue e dona Angélica estava ali, do
nosso lado, com todo aquela hemorragia que ela secava como se estivesse assoando o nariz. Eu, acostumada com hospital particular, estranhei
permanecer ali, perto de pessoas realmente doentes, sangrando e vomitando, ao meu
lado. Perdoem se eu lhes parecer “patricinha” ou sei lá o quê, mas nunca estive
em um hospital com fluidos alheios ao meu lado por horas na sala de espera,
como se fosse super natural.
No dia em que estive no hospital público
brasileiro, calhou de um senhor ter serrado a perna em um acidente de trabalho
e ele ficar ali, sangrando perto das pessoas enquanto aguardava atendimento.
Então, como já disse antes, se gente virando do avesso ao seu
lado, no hospital, parece-te normal ou não, vai depender do acesso à saúde ao qual você está acostumado. Para mim, foi desconfortável
porque não fazia parte da minha realidade anterior.
Esse foi um ponto que estranhei, embora,
pensando bem, seja perfeitamente normal - só gente que passa mal é que vai ao
hospital, né? Se a pessoa estivesse sadia, iria ao parque!
Na próxima postagem, falarei sobre como
foi estar internado lá, segundo Barbieri, dando detalhes maiores da infra-estrutura e da dinâmica
do hospital. Como esse relato já está extenso, paro por aqui, tendo descrito
como foi o processo até o comunicado de que ele teria que ficar lá por mais tempo.
Não perca o fim desta aventura (clique aqui para ler mais), ela te fará sorrir, tenho certeza!
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Quem você conhece que tem interesse em vir para cá? Manda essa postagem rica em detalhes para essa pessoa, ajude a ela e a mim. ;)
Obrigada por estar aqui.
Até a próxima.

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