quarta-feira, 6 de março de 2019

A partida

Eu já queria começar falando das minhas primeiras impressões sobre Portugal. Não que eu queira descrever Portugal, mas eu queria mesmo era registar* os processos mentais por que passei ao longo da emigração. Sou reflexiva e escrever sempre foi um passatempo. No entanto, penso que começar um blog, sem situar o leitor acerca de minha partida, ficaria um bocado vago. Então, em linhas gerais, vamos ao que me trouxe aqui:
*não comi o "erre" da palavra. Meu corretor ortográfico é português e aqui se fala REGISTO, por exemplo, ao invés de REGISTRO).


Muitas pessoas têm vindo para Portugal em busca de mais qualidade de vida, segurança, educação e saúde de qualidade. 

Não foi o meu caso. 

Honestamente, eu já tinha qualidade de vida e segurança no lugar de onde vim (Nova Friburgo, RJ, Brasil). Se saúde e educação fossem ainda melhores, ótimo, mas, acho que, no fundo, nenhum desses motivos foram reais para a minha emigração.

Tem gente que emigra porque está MUITO insatisfeito.
Tem gente que emigra porque está sob o "efeito manada".
Tem gente que emigra porque tem pouco a perder. - Acho que esse era o meu caso.

Marido aposentado, filha adolescente, parentes que já moravam longe, poucos amigos, escassa vida social e uma vida profissional completamente mediana definiam meu perfil. Com a entrada na minha dupla cidadania, calculei que tinha pouco a perder e vim.

Planeei (de novo, Português de Portugal) minha vinda à Portugal sem grandes emoções: nunca havia sonhado em morar fora, tampouco havia feito alguma viagem ao exterior. Nunca sequer imaginei que viver em outro país fosse possível para mim. Um estágio de neutralidade permeava meus sentimentos quanto à deixar ou não a minha pátria, entretanto, todo o processo pré-viagem correu com tanta fluidez que me fez acreditar que os ventos (e Deus!) estavam a meu favor nesse projeto. 

Assim, chegamos a Portugal: eu, marido e minhas filhas: 


Dalila, minha doberman, e Gigi


Fiquei muito aflita no dia da viagem por conta de Dalila. Fizemos um voo directo para evitar problemas com a nossa cadela e, felizmente, chegamos todos bem - ela, inclusive. 

Eu queria poder dizer que, no dia da viagem, eu estava super feliz e animada com o que iria encontrar por aqui, cheia de expectativas. Mas se o dissesse, estaria mentindo. A verdade é que eu estava morta de preocupação com a Dalila e arrasada pela ideia de que ela achasse que estávamos a abandonando. Além disso, eu estava com meu coração partido por estar me despedindo de todos, sobretudo, meus pais, irmão, cunhada e afilhada. 

O voo, mesmo que directo, foi cansativo demais - e olha que viemos sozinhos na nossa fileira!

De positivo, desse dia, eu guardo a janta do avião que estava uma delícia (Salve, TAP!), a fileira do avião só para gente (se já estava desconfortável só conosco, imaginem com um estranho no meio \o/) e a alegria da minha filha. Essa, sim, estava radiante: levando tudo na esportiva, empolgada (deslumbrada, vai) com a ida à Europa e com uma energia incrível. 





Ver a Dalila quando chegamos ao aeroporto de Lisboa, mesmo que molhada de xixi, na casinha, foi meu maior alívio. Aliás, eu só me senti realmente FELIZ quando saí de lá com malas, família e cachorro.  

Quisera eu ter vindo serelepe e saltitante para cá, contudo, o pré-viagem me deixou uma bomba-relógio. Não foi emocionante, cheio de sonhos, com unicórnios coloridos. Foi mais para cansativo e desgastante mesmo. heheheh 

Espero não ter que fazer uma viagem dessa magnitude novamente porque eu acho que não aguento outra maratona destas. 

Cheguei aqui sem muitas expectativas e com um propósito que ainda não me está claro: vim para ver qual é, porque tinha pouco a perder.

Vou dividindo convosco minhas impressões e veremos no que vai dar.

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Estou no Facebook (clica aqui) e no Instagram (clica aqui também), caso queira me acompanhar de perto. 

Até breve! 

12 comentários:

  1. É isso ai Mariana. Bola pra frente. Gostei de ver a animação da Gigi. As duas estão lindas na praia.

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  2. Já está portuguesa de tudo.
    Como assim convosco?
    É com vocês hahahahahaha
    Beijos

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    1. Ah, eu sou uma mulher das linguagens, tudo que aprendo, uso. hahahahaha Vão ter que me aturar.

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  3. Oi Mega amiga blogueira,
    Adoro seus textos pois são leves e de uma sinceridade que aprecio em pessoas. Vou passar por aqui sempre que possível,deixando meu toque e quem sabe até opinião��
    Admiro a força e a iniciativa de vocês em irem e espero que esse país TioZão os acolham com todo o carinho que merecem.
    Bjs,
    Ana Rimes

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    1. Minha amiga maravilhosa, obrigada pelas palavras, pela amizade, pelo incentivo, pelo carinho e por fazer parte de nossas vidas. <3

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  4. Adorei! Vou acompanhando vocês por aqui também. Vou indicar seu blog para a minha amiga portuguesa, que me hospedou quando estive aí.

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    1. Muito obrigada, Elô!! Vc, como sempre, acompanhando meus bloguinhos da vida. Que honra imensa!!! Um beijo enorme para vc!!

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  5. É sempre um prazer, minha querida. Mesmo que eu não possa comentar, estarei de olho!

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    1. Eu só posso agradecer e te mandar todo o carinho do mundo!! <3

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  6. Mary Jane (ainda posso te chamar assim? rsrs), que coisa boa ver notícias suas, especialmente dessa grande aventura. Desejo muita luz para vocês nessa nova caminhada! Como a Gigi está grande e linda!!! Lembro como se fosse ontem de vê-la nas fotos do seu casamento... Bjs!

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    1. Vc poderá me chamar assim para sempre!!!! Eu amava meu nickname e vc e sua turma só me trazem ótimas recordações! <3 Beijos

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