terça-feira, 26 de março de 2019

Adaptação: o que não foi tranquilo

Nem tudo na vida são flores e houve coisas, ao longo desse primeiro mês, em Portugal, que me deixaram em um profundo estado de não sei.

Não é que eu tivesse desgostado do país. Mas também não tinha amado, assim, de cara, como a maioria das pessoas. Obviamente, eu sabia que teria que me adaptar ao novo país e  eu estava de coração aberto para tal... Mas, confesso, houve partes que precisei empenhar-me um pouco mais para ficar de boas. Vamos a elas?

 1. As carnes de Portugal

Já tentei ser vegetariana e falhei miseravelmente. Houve épocas em que eu comia carne em apenas uma ou duas refeições por semana. Hoje em dia, é o contrário: uma ou 2 refeições é que estão sem carne. Basicamente, nossa alimentação brasileira era arroz, feijão e peito de frango. Contudo, aqui, tivemos que trocar o frango pelo porco, pois esse tipo de corte (peito de frango) é bem mais caro em Portugal que no Brasil. Fazendo a conversão real-euro, o quilo do peito deve ser cerca de 25 reais, se não for mais. 


No Brasil, basicamente, come-se carne de vaca, porco, peixe e frango. Outras carnes, para o carioca, entram na categoria de "exóticas". Em Portugal, encontram-se, facilmente, em qualquer mercado, carnes de coelho, novilho, peru, cordeiro, pato e outras que não vou lembrar o nome. Algumas delas, como o peru, têm preços mais amigáveis que o próprio peito de frango, por exemplo.



Eu não como nenhum bicho diferente dos que eu já como (porco, frango, boi, peixe). Tentei comer peru; tem gosto de frango... Mas não deu. O tal do arroz de pato? Nem pensar. Sei que o frango é uma vida tão válida quanto a do pato, por exemplo. Mas, como cresci comendo frango, acaba sendo mais fácil não associá-lo ao que de fato é - carne de bicho. Já outros animais... Eu fico mastigando a carne e aquilo não me desce.  Não quero comer mais bichos, além dos que já como, então, essa semana, em que o cardápio da casa está sendo peru há uns 3 dias, estou mandando ver em todas as modalidades de omelete possíveis: com queijo, com cebola, com brócolis... hauhauhauhahua Dá-lhe ovo! =)



2. Limpar o chão com a esfregona

Levou uns 3 usos até eu não xingar mais a coitada. kkk Você deve estar achando que estou falando daquele mop giratório maneiro que a gente vê no Mc Donald's. Mas não é o caso. A que eu tenho é assim: você enfia a esfregona no cestinho e roda seu cabo com a mão mesmo para espremer. 



Imagem retirada do Google

O problema é que se você rodar o cabo demais, a esfregona solta da haste. Enfim, tem toda uma técnica milenar portuguesa para usar esse paranauê e eu ainda não estou 100% convencida sobre esse utensílio. É bom não precisar espremer o pano manualmente, como fazemos no Brasil, mas, por outro lado, acho que a esfregona fica muita húmida (com h em português de Portugal) e acaba deixando o chão muito molhado. Além disso, também não acho prático lavar a esfregona depois do uso, especialmente, porque não tenho tanque em casa. A conclusão da história é que,   por desencargo de consciência, comprei uns panos de prato para fazer de pano de chão e vida que segue. Quando estivermos mais folgados de grana, vou comprar um mop daqueles bacanudos de pedal. Acho que vou gostar mais.

3.  O choque de realidade da minha nova vizinhança

Um outro ponto que precisei ajustar na minha adaptação não tem tanto a ver com Portugal, mas com a mudança de vizinhança, em si. No Brasil, eu morava a 12 km do centro de uma cidade de médio porte. Era uma área “rural”, em um condomínio fechado. Os fundos da minha casa davam para a Mata Atlântica. Eu acordava, ia para o quintal e tinha as vistas mais lindas que alguém poderia desejar:






Pois bem. Se antes eu tinha a Mata Atlântica como vizinha de fundos, agora, tenho cimento. Esta é a minha actual (em português de Portugal) vista da janela do quarto:




Na minha vizinhança, há casas e mais casas - de todo jeito: antigas, restauradas e em ruínas. As casas em ruínas, então, cortam-me o coração. Eu não estava mais acostumada a ver moradias abandonadas porque, além de morar em um condomínio, eu só frequentava os lugares mais bem cuidados da região. 

No Brasil, quase sempre, casas abandonadas estão em áreas desfavorecidas. Aqui, em Portugal, essa regra não é clara: é possível ver casas abandonadas em localizações excelentes  (próximas a shopping centers, mercados, centros comerciais e beira de praia, por exemplo). Em terras brasileiras, isso é MUITO improvável: quanto melhor localizado em termos de comércio e lazer, melhor o imóvel, em via de regra.


Quando vemos as fotos de Portugal, mesmo das áreas históricas, vemos aquelas fotos com filtros e efeitos, ângulos interessantes, que rendem poesia ao que se vê. Disso eu gosto.

Mas, no meu caso, estou falando de casas completamente abandonadas, com telhados quebrados, janelas destruídas, paredes em pedras já aparentes... É  o velho e abandonado mesmo, sem gourmetização das coisas. 


Eu sei que Portugal tem muita história e que deveria ser ÓBVIO que encontraria estruturas em maus estados. Mas, para mim, não era. Eu achava que, por ser EUROPA, tudo seria ultra preservado, master maravilhoso, que abandono e descaso fosse "mérito" do Brasil. Santa ignorância! Acho que é mania de brasileiro se depreciar e achar que as coisas ruins são exclusivas de "terceiro mundo". É claro que aqui as coisas são mais bem preservadas, não há comparação. Contudo, entendam: não é porque as construções são melhor cuidadas, que todas o são. Tem coisa que ficou de lado mesmo... Não convém, aqui, discorrer os motivos.


Perdoem a minha inocência: eu achava que o "histórico" europeu seria algo tipo Tiradentes, em Minas Gerais: preservado, turístico, fofo: 



Foto retirada do Google





Não me entendam mal: há centros históricos lindos e fofos em Portugal - muitos, aliás! Mas aqui há o Centro Histórico Gourmet e há construções feias mesmo. 
Enfim, confesso que estranhei essa última questão e levei semanas digerindo-a porque, no Brasil, minha circulação não englobava endereços com casas abandonadas. 

Como tudo na vida é aprendizado, ao chegar a Portugal, onde é que vim morar? Exactamente (em português de Portugal) em uma região lotada de casas assim! Foi um baque, não posso mentir. Não imaginei que fosse estranhar uma coisa dessas! Fiquei mal comigo mesma, desapontada com a minha frivolidade. Logo eu, que me achava tão madura! Que tapa na cara ver que ainda tenho muito que melhorar!


De todo modo, vou colocar o antes e depois de novo para ver se vocês entendem o que quero dizer quando falo de choque de realidade:



Vizinhança antes

     
Vizinhança actual (em português de Portugal)



Finalmente, é importante ressaltar que, cada um tem uma experiência diferente, de acordo com seu lugar de fala. Eu já morei no subúrbio do Rio de Janeiro. Tivesse eu saído de lá directo (em português de Portugal) para terras lusas, possivelmente, nem perceberia as casas abandonadas, porque já estaria habituada a elas. 

Contudo, saí do subúrbio e fui morar naquele pedaço de paraíso Friburguense, bem classe média metida à besta. hahahah Meu olhar ficou destreinado para o que não era natureza, já que eu morava no meio do mato. 


Passado o primeiro mês em Portugal, já me acostumei às construções abandonadas e, honestamente, nem as percebo mais! Só tenho olhos para o que é lindo. rs Mas isso é papo para outro post.

Qual dessas questões seria pior para você se adaptar: a 1, a 2 ou a 3? 

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Estou no Facebook (clica aqui) e no Instagram (clica aqui também), caso queira me acompanhar de perto. 

Escreva nos comentários. =)


Até breve!



8 comentários:

  1. Nenhuma delas, sou muito adaptável ��

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    1. Huum...Lindo e adaptável...? Quero te conhecer melhor. Tens instagram? :p

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  2. Eu teria dificuldades com as carnes exóticas. A esfregona não me daria problema, e as casas feias, bem, essa é a minha realidade diária. Minha vizinhança é toda assim, e sempre foi.

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    1. Você é muito adaptável!!! :) Amiga Elô, eu acho que aquele paraíso em Friburgo me deixou muito mal acostumada, fora da realidade. Se eu tivesse saído de Pilares direto para Portugal, tb não estranharia nadica. Mas a esfregona e as carnes... É um processo... Para mim, o pior está sendo a carne mesmo... Vou investir nos peixes.. Mas Barbieri e Gigi não gostam... Fazer comida já é chato, ainda mais pratos diferentes... afff

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    2. Eu imagino que deve ser muito difícil mesmo. Eu não sou chegada a peixes nem frutos do mar, acabaria recorrendo ao ovo também rs

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  3. Mas eu não conheço Setubal mas assim nem me dá vontade! Precisa vir conhecer nossa Figueira - tipo Cabo Frio nos anos 70/80 - muito bonitinha a cidade! Fica um inferno no verão (ao estilo Cabo Frio) mas durante o ano é uma delícia. :)
    Eu e meu marido não comemos nada do mar ou do rio e nem bebemos - aqui é muitíssimo barato para comer e comemos fora praticamente todos os dias. Porquinho! Como você eu também queria parar de comer carne pq adoro os animais mas nem tento...
    Aqui na Figueira temos praia, rio e serra - tudo no mesmo lugar. As ruas são bem limpinhas e a única vez que reclamo do cheiro é da fábrica de celulose que fica no Paião - mas só quando o tempo vai mudar é que o cheiro chega na cidade.
    Quanto às moscas, compre uma raquete elétrica no China - são imprescindíveis no verão e sua cachorrinha não vai sofrer com o inseticida! :)
    Beijinhos

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    1. Setúbal é linda, é quente, é animada. Os Portugueses locais me parecem muito calorosos... A orla passa por dentro da cidade, mas diferentemente da orla de Figueira, a extensão de areia é bem pequena e então, há partes gramadas que beiram a orla. O cais do Porto de Setúbal é uma delícia. Os canteiros estão todos floridos. A Avenida paralela à beira-mar é uma graça. Não se deixe envolver pelo que narrei. O amassado no carro foi uma tremenda má sorte e os demais problemas são relativos à casa em que estou, de aluguel temporário. Não deixe de vir à Setúbal, por favor! :) Já estive em Figueira da Foz 2x, porque minha amiga tentou me convencer de ir para lá. Achei que a orla de Figueira lembra muito a orla da Zona Sul do Rio, coisa que você, certamente, saberá avaliar melhor... hehehe Dica maravilhosa a da raquete: vou providenciar o quanto antes! Esses mosquitos não perdem por esperar!

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