Olá, pessoal! Tudo bem?
Espero que sim. :)
Esse post é só um desabafo de minhas percepções acerca do que tenho observado e vivido neste primeiro ano em Portugal.
Vejo nos grupos de brasileiros que pretendem emigrar uma preocupação bastante razoável: e a saudade? E a família? E a adaptação à nova cultura? Gostaria de registrar minha opinião e eis o que penso:
1. FAMÍLIA
a) Se você for uma pessoa sozinha, sem grandes laços de amizade ou sangue, e vier para qualquer país em que não tenha absolutamente nenhum relacionamento, imagino que deve ser difícil. Sim, creio que deve ser um desafio mesmo para quem já caminha solo no próprio país. Uma coisa é estar só por opção, outra, é enfrentar os transtornos da imigração sem ter com quem partilhar as dores e delícias do evento. "O que não mata, fortalece", diz o ditado. Depois de uma jornada dessa, imagino que o sujeito saia mais fortalecido que o Rambo, portanto, boa sorte para quem vem na raça.

b) Se você tem a sua família nuclear e é o tipo de pessoa que quase toda semana junta o restante da galera para um churrasco, ou se você é do tipo que tem sua/ seu mãe/ pai/ irmã/ irmão/ prima(o) etc como best friend, então, o afastamento vai ser mesmo um pesadelo. Sinceramente, eu te encorajo a avaliar bem se vir para cá valerá o sacrifício, pois as distâncias ficam maiores com o tempo.
Se a ideia de sair do Brasil para ter uma vida nova em outro país resume-se em SER (mais) FELIZ, reflita bem sobre onde sua felicidade está, caso contrário, você só estará trocando uma tristeza por outra.

(Não há nenhuma vergonha em sentir falta de casa. Significa que você veio de um lar feliz)
c) Se você tem um bom relacionamento com a sua família, mas cada um vive sua vida e tem escassas interações em eventos pontuais - aniversários, Páscoa e Natal - acho que dá para aguentar o tranco.
Pessoalmente, sou muito voltada para a minha família nuclear: marido, filha e Dalila (minha filha de 4 patas). Gosto da tranqulidade do nosso mundinho e, estando com eles, sinto-me bem em qualquer lugar. Portanto, apesar da distância e da saudade, lido bem com a ausência da família, sempre com a esperança de preenchê-la com visitas à minha casa portuguesa.
Acho que o pessoal que se enquadra no grupo 3 é quem lida melhor com as ausências. Atenção: não é que a saudade não doa. Parentes vão falecer, pessoas amadas vão passar por situações difíceis e você estará a um oceano de distância e 3h de fuso-horário. Paralelamente, você e sua família nuclear vão enfrentar problemas e não terão mais ninguém com quem contar - não há avós, tios, primas, amigos de infância. Vocês estarão por vossa conta. Tudo isso pode ser muito estressante e desgastante, mas, infelizmente, nem sempre dá para conciliar tudo. Portanto, avalie todos os pormenores.
2. CULTURA LOCAL
Já disse outras vezes, mas vou repetir: Portugal é muito parecido com o Brasil em muitos aspectos e, se você for civilizado e pertencer a círculos sociais de pessoas educadas, você não estranhará nada. Agora, se você é o tipo da pessoa que escuta música alta, corta pelo acostamento, joga lixo no chão, depreda patrimônio público e age com falta de noção e de bom senso, sugiro que observe como a maiora das pessoas está fazendo à sua volta, aqui, em Portugal, e tente agir igual. Sei que há muitos conterrâneos que vêm de uma realidade dura, meio "salve-se quem puder" e que, por uma série de razões, acabaram por não aprender a reconhecer certos limites. Então, meus queridos, minha dica é "Em Roma, [faça] como os Romanos". Se não tem ninguém ouvindo música alta na praia, não seja o DJ do local. Se não tem ninguém dançando funk bizarramente em local público, não seja você a estrear a pista de dança imaginária. Se você não está certo sobre como agir, pergunte, observe. Na dúvida, não faça.
Keep calm and fica na moral.
Por fim, gostaria de salientar duas partes boas pertinentes ao afastamento das referências brasileiras:
- Sabe aqueles ambientes tóxicos que te estressavam e deixavam a sua ansiedade em níveis astronômicos? Então! Se você quiser, é só bloquear, deletar, não ver. Nada mais te força a frequentar tais espaços porque mesmo que você quisesse - eu sei, você não quer - , você não pode, porque, poxa, né, você está em Portugal. Yeah.

Por último, mas não menos importante...
- Você está em outro país e, se quiser não tem que dar satisfação de sua vida a ninguém. Portanto, se você é daqueles que sempre viveu uma vida de acordo com as expectativas alheias, aproveite para desvencilhar-se da cobrança estando em outro continente. Sugiro sempre que você seja responsável e razoável. De resto, faço votos de que se encontre consigo mesmo para uma vida plena e de boas - porque se é você quem paga seus boletos (em euros!) ninguém tem nada mais em que se meter.
E vocês, ficariam no time do "livre-estou" das expectativas alheias ou padeceriam de saudades?
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Beeeeeijo
Parabéns pelo texto, muita coisa para pensar.
ResponderExcluirMuito obrigada!!! Alimentar a mente é saudável, então, vamos mesmo refletir! Beijinhos
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